Formação capacita recém criadas equipas dos Centros de Preparação para o Batismo na diocese de Angra

Entre os conselhos deixados às equipas destaca-se a importância de “criar empatia no primeiro contacto” e de “manter o laço estabelecido para além da celebração”

Foto: Igreja Açores/NP

Decorreu em regime presencial e através das plataformas digitais uma formação pastoral dirigida às equipas dos Centros de Preparação para o Batismo (CPB), criadas nas ouvidorias da Diocese, reunindo leigos e sacerdotes que assumem esta missão de acompanhamento às famílias que pedem o sacramento do batismo. A iniciativa foi orientada pelo padre José Paulo Henriques, da Diocese de Aveiro, contando também com o contributo de um casal de leigos já integrado nesta pastoral específica.

O objetivo principal foi preparar os membros das equipas que, por sua vez, irão acompanhar e formar os pais e padrinhos de crianças que serão batizadas, sobretudo bebés e crianças pequenas cujos pais solicitam o sacramento. Trata-se de garantir que as equipas, compostas por diferentes carismas- leigos, casais, padres e religiosos- estejam devidamente capacitadas para acolher, orientar e integrar estas famílias na vida da comunidade cristã, acompanhando-as para além do momento da celebração do sacramento num itinerário de compromisso e vida cristã.

A formação teve uma “clara dimensão pastoral”, na medida em que procura estruturar um acompanhamento mais próximo e consistente, como relatou ao Sítio Igreja Açores o formador padre João Carlos Henriques.

Ao mesmo tempo, a formação integrou uma componente teológica, sacramental e litúrgica, própria da celebração do Batismo enquanto sacramento da iniciação cristã.

A lógica dos CPB aponta para uma mudança de mentalidade: mais do que um momento isolado de preparação imediata para a celebração, pretende-se um verdadeiro itinerário de fé.

“Esta perspetiva procura evitar uma pastoral fragmentada, em que os contactos com a Igreja acontecem apenas por ocasião dos sacramentos. A intenção é promover um percurso contínuo que articule a pastoral do Batismo com a pastoral catequética e familiar, favorecendo um acompanhamento progressivo das famílias ao longo das várias etapas da vida cristã” afirmou o presbítero da diocese de Aveiro.

Foi também sublinhada a oportunidade pastoral que o pedido de Batismo representa.

“Muitas vezes, os pais encontram-se afastados da vivência comunitária, mas conservam uma referência, ainda que ténue, à fé. As motivações para solicitar o Batismo podem ser diversas – religiosas, tradicionais, culturais ou até marcadas por fatores sociológicos – , mas existe sempre um ponto de partida que deve ser acolhido” referiu ainda.

Entre os conselhos deixados às equipas destaca-se a importância de “criar empatia no primeiro contacto” e de “manter o laço estabelecido para além da celebração”.

“Pequenos gestos, como recordar o aniversário do Batismo ou convidar para iniciativas paroquiais, podem reforçar o sentido de pertença e ajudar a consolidar a integração na comunidade” disse o padre João Paulo Henriques.

Na reflexão final, foi recordado que os sacramentos “não devem ser entendidos como atos automáticos de causa e efeito”, mas como “processos de descoberta e reconhecimento”.

“O Batismo é apresentado como início de um caminho em que a pessoa se descobre filha de Deus e membro da Igreja, num percurso que se desenvolve ao longo da vida”, concluiu.

A iniciativa enquadra-se nas orientações pastorais expressas na carta “Batizados na Esperança”, do bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, que sublinha a importância de uma pastoral do primeiro anúncio e da criação de espaços que promovam o encontro com Cristo. No contexto do atual triénio dedicado ao Anúncio, os Centros de Preparação para o Batismo assumem especial relevância, estando previsto que, até ao final do ano pastoral 2025/2026, cada paróquia, ouvidoria ou zona pastoral constitua formalmente a sua equipa de CPB.

Com esta formação, a Diocese reforça o compromisso de dignificar o sacramento do Batismo e de estruturar um acompanhamento mais próximo, consciente e continuado das famílias, começando pelo momento que marca a entrada na vida da Igreja.

Scroll to Top