Fraternidade de São Pio X celebrou ordenações episcopais sem mandato pontifício

Foto: Os novos quatro bispos ordenados sem mandato pontifício

A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX), fundada por D. Marcel Lefèbvre (1905-1991), celebrou hoje, na Suíça, a ordenação de quatro novos bispos, sem mandato pontifício.

A celebração, na localidade de Êcone, na Suíça, foi presidida por D. Alfonso de Galarreta, coadjuvado por D. Bernard Fellay, antigo superior geral da Fraternidade, dois dos bispos a quem Bento XIV levantou a excomunhão, em 2009.

Os novos bispos são Pascal Schreiber (Suíça), Michael Goldade (Estados Unidos), Michel Poinsinet de Sivry (França) e Marc Hanappier (França).

Numa carta divulgada esta quarta-feira, o Papa alertava a FSSPX que esta consagração sem mandato pontifício constitui um “ato cismático”.

“Pela autoridade recebida de Cristo, com espírito dorido, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de vos pedir que desistais do vosso intento”, apelou o Papa, numa mensagem endereçada ao superior-geral da FSSPX, padre Davide Pagliarani.

Leão XIV manifestou o seu profundo pesar perante a intenção de ordenar bispos sem mandato pontifício, sublinhando que “rasgar a Túnica sem costuras de Cristo é um pecado de extrema gravidade”.

“Que o Senhor ilumine as vossas consciências e desperte os vossos corações”, referiu.

“Com este espírito, e cheio de afeto cristão, rogo-vos e peço-vos com todo o coração: voltai atrás! Exorto-vos a considerar atentamente o bem espiritual dos fiéis, porque o ato cismático que praticaríeis privá-los-ia da receção lícita e, em alguns casos, até válida dos Sacramentos que eles amam e buscam para a sua santificação”, acrescentou.

Leão XIV recordou a atitude de “atenção e benevolência” demonstrada pelos seus predecessores, relativamente à FSSPX.

“A Igreja reconhece o apego à vida litúrgica, o empenho na formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à Tradição que caracterizam muitas pessoas e comunidades ligadas a essa Fraternidade”, escreveu.

Em fevereiro, o Vaticano tinha anunciado estar em diálogo com a Fraternidade, após esta ter anunciado as ordenações episcopais.

Leão XIV insiste, agora, que “a Igreja está disponível para um caminho de diálogo e de entendimento que o Espírito Santo pode tornar possível e fecundo”.

Em resposta, o superior-geral da FSSPX declarou que “a Fraternidade não é nem cismática nem hostil à Igreja”.

“Longe de nós a ideia de nos separarmos da Igreja romana; pelo contrário, desejamos servi-la por meios extraordinários, como se presta auxílio a uma mãe em dificuldade que necessita de um socorro particular, ainda que este não seja compreendido por todos”, sustentou o padre Davide Pagliarani.

A carta recorda que, pelos motivos atuais, a Fraternidade já foi declarada cismática em 1988, decisão que viria a ser revertida pelo Vaticano.

A 24 de julho, a FSSPX divulgou uma carta aberta ao Papa Leão XIV e ao Colégio de Cardeais e uma declaração de fé, desejando que “possa servir de base para uma discussão franca com a Santa Sé, numa atmosfera tranquila, fraterna e caridosa”.

A 13 de maio, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé alertou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X para o risco de “cisma”, caso persistam nas anunciadas ordenações episcopais sem mandato do Papa

“Reitera-se o que já foi comunicado. As ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X não têm o correspondente mandato pontifício. Este gesto constituirá ‘um ato cismático’ (João Paulo II, Ecclesia Dei, n.º 3) e ‘a adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa a Deus e implica a excomunhão prevista pelo direito da Igreja’”, advertiu o cardeal Víctor Manuel Fernández.

Em junho de 2012, a Santa Sé revelou que tinha proposto a criação de uma prelatura pessoal para a Fraternidade Sacerdotal, que esta viria a recusar.

Entre as questões que separam as duas partes destacam-se a aceitação do Concílio Vaticano II (1962-1965) e do magistério pós-conciliar dos Papas em matérias como as celebrações litúrgicas, o ecumenismo ou a liberdade religiosa.

A 19 de janeiro de 2019, o Papa Francisco suprimiu a Comissão Pontifícia ‘Ecclesia Dei’, estabelecida em 2 de julho de 1988 com o objetivo de “facilitar a plena comunhão eclesial” dos sacerdotes, seminaristas, comunidades ou de cada religioso ou religiosa ligados à Fraternidade São Pio X.

As funções da Comissão estão confiadas atualmente ao Dicastério para a Doutrina de Fé.

A 28 de janeiro de 2009, numa audiência pública, Bento XIV explicou a sua decisão de levantar as excomunhões aos quatro bispos ordenados em 1988 por mons. Lefebvre, sem mandato pontifício, falando num “ato de misericórdia paterna”.

Em particular, o falecido pontífice falou na necessidade de um testemunho de “verdadeira fidelidade e verdadeiro reconhecimento pelo magistério e a autoridade do Papa e do Concílio Vaticano II” para se promover a unidade na Igreja.

Os bispos em causa eram D. Bernard Fellay, D. Bernard Tissier de Mallerais, D. Richard Williamson e D. Alfonso de Galarreta.

(Com Ecclesia)

Papa apela à Fraternidade Sacerdotal São Pio X para recuar perante ameaça de “ato cismático”

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