Redescobrir Jesus é o mote para seis dias de peregrinação para cerca de 60 jovens das ilhas da Madeira, Açores e continente português à ilha branca

Sessenta jovens estão a participar desde hoje, em santa Cruz, na ilha Graciosa, na primeira Peregrinação Jovem organizada pelo Caminho Neocatecumenal nos Açores.

A proposta é durante seis dias desenvolverem actividades que visam redescobrir Jesus.

Aos jovens, oriundos  das ilhas de São Miguel, Terceira e Pico, onde este itinerário de formação cristã nascido em Espanha em 1964, tem várias comunidades, juntam-se alguns jovens  madeirenses,  continentais  e graciosenses, estes últimos ainda fora de qualquer comunidade neocatecumenal, mas que têm feito alguma experiência formativa e estavam inscritos no Encontro Mundial do Caminho em Roma que acabou por não se realizar devido à pandemia.

“ Para a nossa ilha é muito interessante” referiu ao Igreja Açores o ouvidor e pároco de Santa Cruz, padre Júlio Alexandre Rocha. O sacerdote, que está ligado ao Caminh,o sublinha que para os jovens participantes “é uma experiência importante”, mas “também o é para a comunidade” já que muitas das actividades são partilhadas com a comunidade local.

“Neste momento de pandemia, em que não pudemos fazer nada, é uma motivação para os jovens e para a comunidade verificar que, apesar de tudo , a Igreja está viva e há muitas coisas a acontecer, com dinâmica e com sentido evangélico” referiu o padre Júlio Alexandre Rocha que assistiu durante alguns anos as comunidades do Caminho na ilha do Pico, concretamente em São Roque, onde foi pároco.

Os jovens, que estão assistidos pela equipa de catequistas da zona Açores, Madeira e Cabo Verde, composta por quatro elementos: um casal de catequistas sénior, um jovem e um sacerdote assistente, vão desenvolver momentos de oração na praça da Vila de Santa Cruz, farão uma caminhada ao Monte da Ajuda e farão reflexões no Pavilhão Desportivo de Santa Cruz, onde desenvolvem também actividades abertas à comunidade. Cumprirão, ainda, o esquema da missão dois a dois pelas paróquias da ilha e animarão a Eucaristia dominical em Santa Cruz, no próximo domingo, às 11h00.

O acampamento onde estão tem merecido um grande acolhimento da população, segundo adiantou o padre Júlio Alexandre Rocha e cumpre todas as regras e normas de segurança impostas pela Igreja e pela autoridade de saúde. Além de jovens insulares o acampamento conta também com a presença de jovens do Continente português.

As atividades começam esta terça-feira, 25 de agosto, na Praça Fontes Pereira de Melo, pelas 21h00. Amanhã decorrerá a caminhada ao Monte da Ajuda, a partir das 16h00.Na quinta-feira, 27 de agosto, às 21h00, também ocorrerão atividades na Praça Fontes Pereira de Melo, bem como na sexta-feira, às 19h00.No sábado as atividades irão decorrer no Pavilhão Desportivo Municipal.

O Caminho Neocatecumenal nasceu há 56 anos em Espanha, por iniciativa do pintor e músico Kiko Argüello e da missionária Carmen Hernández e é reconhecido pela Igreja Católica como “um itinerário de formação católica válido para a sociedade e os dias de hoje”, assente em três pilares fundamentais: a palavra de Deus, a Eucaristia e a vida em comunidade.

Atualmente o Caminho Neocatecumenal está implantado também em algumas nações tradicionalmente não cristãs, como China, Egito, Coreia do Sul e Japão, para onde têm sido enviadas missões ad gentes.

Nos Açores o Caminho Neocatecumenal entrou durante o episcopado de D. António de Sousa Braga, em 2004, e está “instalado” em oito paróquias onde existem 13 comunidades neocatecumenais, nas ilhas de São Miguel (7) da Terceira (4) e Pico (2).

Embora o Caminho tenha sido acolhido na diocese por D. António de Sousa Braga, também o atual bispo de Angra, D. João Lavrador, já se pronunciou sobre “a  sua inserção paroquial” que diz ser “salutar para o próprio Caminho como para a paróquia que muito pode usufruir da riqueza do seu itinerário de vida cristã”. E alerta: “a relação do Caminho Neo Catecumenal com a paróquia exige um diálogo franco para uma valorização do que cada uma das partes, Caminho e comunidade, podem oferecer-se mutuamente”, pelo que “a presença e acompanhamento do pároco é da máxima importância”.