Bispo de Angra desafia jovens a rejeitar ódio e discriminação no 40ª Dia Mundial da Juventude, celebrado este Domingo de Ramos na ilha Terceira

No início da Semana Santa, no Domingo de Ramos, que na ilha Terceira coincide com a celebração do 40º Dia Mundial da Juventude, D. Armando Esteves Domingues alertou para a contradição entre fé e violência, denunciando a guerra na terra de Jesus como uma “traição”.
“Quero lembrar toda a violência das guerras presentes, também, lá mesmo, na terra de Jesus. Uma traição de pessoas ditas de fé”, afirmou o prelado logo no início da homilia, na Igreja das Fontinhas, ao deixar um pedido aos jovens:”Não vos deixeis contaminar por literatura e palavreado de exclusão, de homofobia, xenofobia ou discriminação seja de que tipo for. Jesus deu a vida por todos, todos, todos. Por amor!”
E, prosseguiu: “Jesus entra em Jerusalém para fazer com toda a humanidade um pacto de paz e não violência. Essa missão de paz teve como preço a sua própria vida. Jesus disse quem era. Um Filho que confia cegamente no Pai até ao fim. Nas tuas mãos entrego o meu espírito. Uma oferta ao Pai, em nome de cada um de nós”.
“Que grande ideal de vida, caros jovens cristãos. Que Ele dê a todos vós uma cruz como a Dele, capaz de transformar instintos de violência, de vingança ou castigo em arma de paz, onde o amor vença” acrescentou ainda.
Ao longo da celebração, os jovens foram também convidados a refletir sobre a sua identidade cristã, a partir da pergunta central do ano: “Quem és tu? Que dizes de ti mesmo?”. Inspirando-se nas reações contrastantes à entrada de Jesus em Jerusalém e no relato da Paixão, o bispo alertou para o risco de uma fé superficial e sem compromisso, desafiando cada um a assumir, com coragem, a pertença a Cristo.
“És só mais um no meio da multidão ou tens a coragem de dizer com a tua vida: eu pertenço a Cristo?”, questionou, incentivando os jovens a passarem de espectadores a discípulos ativos.
A homilia destacou ainda a importância do Batismo como fundamento da identidade cristã, lembrando que ser cristão não se resume à imagem ou às aparências, mas a uma vida transformada pelo amor, visível no quotidiano – na forma de amar, estudar, trabalhar e relacionar-se com os outros.
Num olhar sobre a realidade local, foi deixado um apelo concreto ao compromisso com a comunidade da Ilha Terceira, marcada por desafios sociais como o isolamento, a emigração e as dificuldades económicas.
“Não somos cristãos em abstrato; somos cristãos aqui, na Terceira, em 2026”, afirmou, convidando os jovens a serem agentes de mudança junto dos mais frágeis.
A celebração terminou com uma mensagem de esperança, sublinhando o crescente interesse de jovens em todo o mundo pela fé cristã e pela vida da Igreja, e apelando a uma vivência autêntica, capaz de responder às inquietações da nova geração.
“Tu podes ser ponte: uma amiga que convidas para a Vigília Pascal, um colega que levas a um grupo, um gesto de voluntariado que fazes com o teu curso, uma conversa com quem perdeu a fé” disse ainda o prelado convidando todos os jovens presentes a serem mensageiros de um programa para esta semana santa e quem sabe também para a grande noite dos cristãos que é a Vigília Pascal.
“Sábado é o dia para renovar as Promessas do batismo. Dia dos Batizados… Alguns de vós talvez renovem as promessas do batismo na Vigília. Façam um programa… E se fossemos todos? Quem dera que no futuro o grande dia da Profissão de fé fosse nessa noite… a maior de todas as celebrações, a celebração da ressurreição por excelência”, afirmou.
“Batizados em Cristo, não estamos condenados a viver a vida “sem saber quem somos”. Temos um nome gravado no coração de Deus. Que esta Jornada de Jovens da Terceira seja um passo para o assumirdes com alegria – não como peso, mas como dom”, concluiu.
A celebração da Eucaristia foi um dos momentos altos deste 40º Dia mundial da juventude, assinalado este Domingo de Ramos na ilha Terceira, na Igreja das Fontinhas, sob o tema “Cristão, que dizes de ti mesmo?”, inspirado na passagem bíblica “Vós também haveis de dar testemunho porque estais comigo” (Jo 15,27), o evento reuniu jovens de várias comunidades num programa espiritual e dinâmico.
A iniciativa foi organizada pelo Grupo de Jovens Fontes de Esperança, das Fontinhas.
O dia ficou marcado por convívio e partilha, incluindo almoço comunitário no Centro Paroquial, dinâmicas de grupo na Casa do Povo e um peddy paper pela freguesia. O encerramento está previsto para as 18h00, com um concerto do grupo Quinta Maré.
Este 40.º Dia Mundial da Juventude foi celebrado a nível global em novembro, na Solenidade de Cristo Rei, dia designado pelo Papa Francisco como o Dia Mundial da Juventude e ficou marcado pela primeira mensagem do Papa Leão XIV para esta ocasião. Na sua mensagem, o pontífice destacou o papel ativo dos jovens na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
“Não sigais aqueles que usam as palavras da fé para dividir! Em vez disso, organizai-vos para eliminar as desigualdades e reconciliar comunidades polarizadas e oprimidas”, apelou o Papa, incentivando os jovens ao compromisso social, desde o voluntariado até à chamada “caridade política”.
O documento reforça ainda que a fé cristã promove um estilo de vida baseado na fraternidade e sublinha a importância de formar “artesãos da paz” no mundo contemporâneo.
Na ilha Terceira, esta celebração, que se mantém no Domingo de Ramos como era hábito, pretende precisamente dar corpo a essa mensagem, reunindo jovens num ambiente de fé, alegria e missão, onde cada participante é desafiado a refletir e a dar testemunho do seu papel enquanto cristão no mundo de hoje.
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