Amigos e colegas de pastoral promovem homenagem no décimo aniversário da morte do sacerdote açoriano

Realiza-se no próximo dia 14 de setembro, em Setúbal,  uma homenagem promovida por “amigos e colaboradores próximos” do Pe Manuel António Pimentel, sacerdote açoriano, que faleceu há 10 anos, intitulada “Celebrar 10 anos de memória viva”.

Esta primeira homenagem realiza-se em Setúbal, diocese onde o Pe Manuel António Pimentel trabalhou, concretamente, nas Paróquias da Quinta do Conde e Barreiro e também como Capelão do Hospital do Barreiro. No entanto haverá, também uma homenagem no Porto e outra em Ponta Delgada, todas promovidas por amigos e colaboradores de uma “maneira muito informal”.

A Homenagem na Quinta do Conde está a ser coordenada pelo Pe Horácio Noronha e decorrerá no Centro Infantil do Centro Comunitário da Quinta do Conde , Boa Água, entre as 15 e as 18h00 e nela irão participar, entre outros o Pe Cipriano Pacheco, Vigário Episcopal para a ilha de São Miguel e um dos mais próximos amigos  do sacerdote açoriano, com quem colaborou em várias iniciativas e projetos de intervenção social,  que evocará o seu Testamento Espiritual.

Para além deste “testemunho” a celebração conta com a intervenção de Artur Goulart sobre a Vida e Ação do Padre Manuel Pimentel, Cânticos Alentejanos pelo Grupo Coral “A voz do Alentejo da Quinta do Conde” e um painel de testemunhos de amigos e dirigentes de organizações por onde o sacerdote açoriano passou como a Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos e termina com uma celebração Eucarística na Igreja de Nª Srª da Boa Água  que deverá ser presidida por D. Gilberto, Bispo de Setúbal.

O Pe Cipriano Pacheco lembra o colega e amigo como “um homem livre que amava Jesus Cristo” e sublinha a coerência entre a sua vida e o facto de, no seu “Testamento Espiritual”, constar também o elenco dos cânticos indicados por ele e destinados à respetiva celebração exequial, do qual fazia parte um “refrão” que dizia que “Jesus Cristo é a luz da nossa noite. Jesus Cristo é a paixão da nossa vida”.

“A verdade é que, para o P. Manuel António, seguir Jesus Cristo na sua vida e ministério, longe de ser uma “obrigação era, antes de mais, uma verdadeira paixão” conclui o Pe Cipriano Pacheco, destacando que o sacerdote, nascido nas Furnas, mas sendo sempre um homem do mundo,  viveu a sua fé e o exercício do seu ministério sacerdotal, “procurando  articular a liberdade da denúncia profética das injustiças com a missão de anunciar o Evangelho como Boa Nova libertadora e fonte de vida para todos, ousando, inclusive, expor-se a críticas ou incompreensões que, no entanto, nunca o fizeram desistir do percurso evangélico que decidiu percorrer”.

Definindo-o como uma “referência inspiradora”, Cipriano Pacheco passa em revista os vários passos da vida do sacerdote que trouxe para Portugal, a associação dos Padres do Prado, uma associação formada por Antoine Chevrier, padre da diocese de Lyon, para a Evangelização dos pobres.

“A vocação do Prado nasce no seio da Igreja e é uma graça que deve ser posta ao serviço da mesma. É na Igreja que cresce a nossa vocação pradosiana de discípulos e apóstolos de Jesus. O Prado não existe para si mesmo, mas para a Igreja”, acreditam os seus seguidores.

O Prado é um instituto secular que  desenvolve uma espiritualidade de padre diocesano tendo como pilares fundamentais: o Estudo do Evangelho, a releitura de vida à luz do Evangelho, a vida em equipa e a vida fraterna.

O Pe Manuel António Pimentel nasceu na freguesia das Furnas, em 1939 e foi para o Seminário com 11 anos de idade. Depois da sua ordenação, a 3 de Junho de 1962, foi para Roma onde estudou Direito Canónico e Teologia Moral, tendo acompanhado de perto a realização do Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965.

Regressa depois à ilha Terceira para ser professor do Seminário Maior de Angra durante dois anos. Passado esse tempo, assume o lugar de Diretor Espiritual no então Seminário Menor de Ponta Delgada durante três anos, regressando de novo ao Seminário Maior de Angra do Heroísmo como professor até 1975, altura em que vai para França, onde frequenta o Curso de Formação dos Padres do Prado.

Durante esse período da sua vida, o episcopado português encarrega-o, juntamente com outros sacerdotes, de trabalhar junto dos emigrantes.

Nos anos oitenta, é designado assistente para o diálogo no Movimento dos

Trabalhadores Cristãos, do qual é membro, desenvolvendo o seu trabalho durante seis anos em Bruxelas, sede deste movimento. Volta a Portugal, para a diocese de Setúbal e é pároco, entre outras comunidades, no Barreiro.

Em 2000, por iniciativa do atual Bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, regressa ao arquipélago  onde começa por ser Vigário Episcopal para a Formação e, por último, fica encarregue pela coordenação do Tribunal Eclesiástico na delegação de Ponta Delgada.

Morreu no dia 10 de setembro de 2004. No dia 26 de janeiro de 2005, a Assembleia Legislativa dos Açores aprovou um voto de pesar pelo seu falecimento.