Iniciou-se esta segunda-feira o processo de restauro do órgão da Sé

Intervenção é financiada pelo fundo cultural da Câmara de Angra que está a apoiar o restauro dos grandes órgãos do concelho

Foto: Paróquia da Sé de Angra/IA

Teve início esta segunda feira o processo de restauro do grande órgão da Sé de Angra, um instrumento emblemático da vida religiosa e cultural da cidade, cuja intervenção é integralmente custeada pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. A obra é orientada pelo organeiro Dinarte Machado, construtor do instrumento, e visa devolver-lhe a plena funcionalidade e o esplendor original.

O restauro do grande órgão da Sé de Angra marca um momento há muito aguardado pela comunidade. Com 32 anos de existência, o instrumento encontrava-se bastante limitado para o serviço litúrgico e para a realização de concertos, apresentando problemas técnicos graves, nomeadamente a inoperacionalidade do órgão positivo e dificuldades gerais de execução.

Segundo o pároco da Sé, cónego Hélder Miranda Alexandre, a intervenção tornou-se “inevitável”.

“Este ano iniciou-se uma obra necessária, porque o órgão estava muito limitado, com graves problemas de utilização e já sem capacidade para responder plenamente à liturgia e à realização de concertos. Era uma intervenção pensada há muito tempo e que agora se tornou possível graças ao apoio da Câmara Municipal”, afirmou, sublinhando o investimento do município na conservação dos órgãos do concelho.

O apoio financeiro da autarquia permitirá um desmantelamento quase total do instrumento. Cerca de 1.463 tubos serão desmontados para limpeza e restauro, possibilitando também o tratamento das zonas afetadas pelo caruncho, que danificou várias peças e tubos de madeira. Parte dos componentes seguirá para oficinas especializadas fora da ilha, nomeadamente no continente e no estrangeiro, onde serão reconstruídas peças em madeira e efetuadas intervenções técnicas complexas.

O organeiro Dinarte Machado, que construiu o órgão quando tinha apenas 32 anos, destaca, na página do Facebook da paróquia,  o valor histórico e artístico do instrumento.

“Foi o primeiro órgão que construí de raiz. Trata-se de um instrumento contemporâneo, inspirado na histórica organaria portuguesa do século XVIII, integrado na arquitetura da Sé e ajustado à sua excelente acústica”, explicou.

Recorde-se que uma parte significativa dos tubos sonoros foi reaproveitada do antigo órgão da Sé, oferecido por D. Maria e construído em Lisboa por Joaquim António Peres Fontanes, cujo restante material se perdeu no incêndio de 1982.

A intervenção não alterará o conceito nem a identidade sonora do órgão, incidindo sobretudo na recuperação da mecânica, da eletrónica e dos registos, conferindo-lhe melhores aptidões técnicas e maior facilidade de execução.

“Vai ganhar um outro brilho e recuperar a dignidade que sempre teve”, referiu o pároco, acrescentando que existe a expectativa de, no futuro, realizar um concerto inaugural de grande envergadura, com intérpretes de referência.

Embora o prazo ainda dependa de fatores logísticos, como o transporte de componentes, estima-se que a obra possa estar concluída dentro de cinco a seis meses, permitindo que, a meio do próximo ano, o grande órgão da Sé volte a ser ouvido em todo o seu esplendor, ao serviço da Igreja, da cidade de Angra do Heroísmo e da Região Autónoma dos Açores.

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