Jornadas da Pastoral do Turismo convidam a refletir “a sustentabilidade de relações” e “daquilo que é o mundo”

“O papel da Igreja na questão do turismo é buscar a singularidade do outro naquilo que é a massificação”, afirma o padre Miguel Neto

A Pastoral do Turismo – Portugal (PTP), da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), vai refletir sobre a ‘sustentabilidade’, na “relação entre as pessoas”, no ambiente, na comunicação e literacia, na habitação, nas suas jornadas nacionais, dias 13 e 14 de fevereiro.

“Neste momento a sustentabilidade é sobretudo a sustentabilidade de relações, da sustentabilidade daquilo que é o mundo, de ver o turismo espiritual e o turismo religioso como algo que pode facilitar a relação entre as pessoas neste mundo global, neste mundo onde temos problemas de migração, temos problemas de conflitos, temos problemas de divisão”, disse o diretor da PTP, esta terça-feira, 10 de fevereiro, em entrevista à Agência Ecclesia.

O padre Miguel Neto realça a importância de promover o turismo como “um espaço de encontro” que quebra preconceitos, que leva a conhecer o outro, mas também “de evangelização, de solidariedade social”, de perceber que são “todos irmãos”.

‘A Esperança de uma maior Sustentabilidade’, inspirado na encíclica Fratelli tutti sobre a fraternidade e a amizade social, do Papa Francisco, é o tema das VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo, da Igreja Católica em Portugal, nos dias 13 e 14 de fevereiro, esta sexta-feira e sábado, no Santuário de Cristo Rei, da Diocese de Setúbal, em Almada.

Para o diretor da Pastoral do Turismo – Portugal da CEP, é possível a promoção do encontro do próximo, fomentar o conceito da fraternidade e da amizade social, e defende que “é essencial que a Igreja tenha esse papel”.

“E o papel da Igreja na questão do turismo é buscar singularidade do outro naquilo que é a massificação”, realçou.

“No turismo massivo, os funcionários, os trabalhadores, são números. No nosso turismo religioso temos que ver o impacto que tem na empregabilidade das pessoas, sobretudo nas zonas mais rurais, nas zonas mais afastadas, criar condições de trabalho, condições de vida honestas e correta”, acrescentou o sacerdote da Diocese do Algarve, no Programa Ecclesia, transmitido hoje, na RTP2.

Segundo o padre Miguel Neto, uma viagem organizada por uma paróquia, por uma congregação, é ocasião de conhecimento, de construção da fraternidade, e exemplifica com “a peregrinação das peregrinações”, à Terra Santa, com um bom guia, o grupo percebe que “nem todos os palestinianos são muçulmanos, existem cristãos palestinianos, e até estão bem organizados”.

As VI Jornadas de Pastoral do Turismo são abertas “a toda a gente que se interessa”, e a inscrição está a decorrer através de um formulário online, com um valor de participação de 30 euros.

 

 

O programa das VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo conta com uma conferência de abertura, sobre ‘A Sociologia do Turismo como Sociologia da Felicidade. Uma viagem exploratória’, e cinco painéis, com temas como a comunicação, onde vão abordar o turismo e literacia, “o impacto que o turismo pode ter na formação das pessoas”.

“Para que as pessoas percebam que visitar o lugar, fazer turismo, é mais do que captar uma foto, é mais do que riscar uma pedra no Coliseu de Roma, é mais do que fazer poses na linha de ferro de Auschwitz”, acrescentou o padre Miguel Neto.

O diretor da PTP, a partir do tema da fraternidade, destaca o “painel bastante interessante”, o primeiro, com a participação de Isaac Assor, da Comunidade Judaica em Portugal, e de João Pedro Faria, jovem português que viveu durante um ano em Taizé (França), a comunidade monástica ecuménica que “é o exemplo perfeito no cristianismo de encontro entre culturas”.

Para o setor da Pastoral do Turismo da Conferência Episcopal Portuguesa, a sustentabilidade “tem a ver também com a questão do ambiente”, e, neste momento, têm ainda “uma grande preocupação” com a habitação, tema que vão abordar porque “o turismo massivo está a dificultar imenso as condições de vida dos locais”.

As atas das VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo vão ser também publicadas, porque “a Igreja Portuguesa tem que ter pensamento”, e o Dicastério para a Pró-Evangelização da Santa Se “vê isso com bastante gosto”, para além da “proximidade com a academia”.

(Com Ecclesia)

 

 

 

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