Lajes vivem entre a rotina e a inquietação com reforço militar na base aérea

Igreja tem oferecido “acolhimento e escuta” acompanhando a população

Foto: RTP Açores/IA

A intensificação das operações na Base das Lajes, na ilha Terceira, no contexto do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, tem vindo a alterar o quotidiano da população local, que oscila entre a habituação ao ruído constante e a preocupação renovada com a chegada iminente de drones militares MQ-9 Reaper.

Segundo as informações disponíveis, avançadas pela estação de Televisão SIC, os drones deverão chegar aos Açores desmontados em contentores, já esta segunda -feira, sendo posteriormente montados na base. As autoridades locais, incluindo os bombeiros, já terão recebido formação específica para lidar com eventuais emergências associadas a estes aparelhos.

Os MQ-9 Reaper são aeronaves de elevada capacidade tecnológica, utilizadas tanto para reconhecimento como para ataque.

Para o padre Nelson Pereira, pároco das Lajes, esta nova fase traz consigo uma preocupação acrescida na comunidade.

“A chegada destes meios torna a ligação da base ao esforço de guerra ainda mais evidente. Isso inquieta as pessoas, mesmo sabendo que, segundo o que é divulgado, não haverá capacidade de atingir esta base diretamente”, afirma.

A população das Lajes tem vivido de há um mês a esta parte um misto de apreensão e adaptação face ao aumento significativo de movimentações na base aérea local. Desde o início do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, a presença de caças e aviões de reabastecimento intensificou-se, tornando-se parte do dia a dia dos lajenses.

“No início, vivia-se com muita apreensão. Falava-se muito sobre a possibilidade de a base ser um alvo, o que gerava ansiedade entre as pessoas”, refere. Nos primeiros dias, a curiosidade também levou muitos habitantes –  e até visitantes de outras zonas da ilha – a deslocarem-se às imediações do aeroporto para observar a atividade aérea.

Com o passar das semanas, porém, o cenário mudou.

“Hoje, embora a preocupação continue, o ruído dos aviões passou a fazer parte da rotina, mesmo a horas pouco habituais, como de madrugada”, explica o pároco.

Neste contexto, a Igreja tem assumido um papel de proximidade e acompanhamento pastoral. O pároco destaca o diálogo constante com a população como essencial: “Temos procurado estar presentes, ouvir as preocupações das pessoas e ajudá-las a encontrar serenidade no meio da incerteza. A fé e a comunidade tornam-se pilares importantes nestes momentos.”

Além das celebrações religiosas, têm sido promovidos momentos de encontro e reflexão, onde os lajenses podem expressar os seus receios e partilhar experiências.

“Mais do que respostas, procuramos oferecer presença, escuta e esperança”, acrescenta.

O conflito com o Irão já dura há mais de um mês.

 

 

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