A Irmã Helena Godinho é Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição

“Entrar na vida consagrada não é perder a vida. É ganhá-la.” Esta convicção atravessa o testemunho da irmã Helena Godinho, Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição e diretora do Colégio de Santa Clara, cuja experiência expressa o sentido profundo da Semana da Vida Consagrada, celebrada este ano sob o lema “Consagrado para servir e amar”.
Com mais de quatro décadas de vida religiosa, a religiosa da Congregação da Beata Maria Clara afirma com serenidade que o essencial da vocação consagrada permanece intemporal: seguir Jesus Cristo numa vida de fraternidade, pobreza, obediência e castidade, numa entrega total ao serviço dos outros.
“O grande desafio sempre foi este: dar a vida”, recorda. Uma entrega que nunca significou perda, mas “crescimento, sentido e felicidade”.
O discurso do “perder”, tão presente quando se fala de compromisso definitivo, é, para a religiosa, um equívoco profundamente enraizado na cultura atual. Hoje, reconhece, muitos jovens vivem com receio de compromissos duradouros, associando-os à limitação da liberdade ou à perda de oportunidades. No entanto, a experiência mostra-lhe precisamente o contrário: “A insegurança não traz felicidade. Quem não se compromete vive sempre a meio”.
Na sua juventude, num contexto social mais pobre e com menos recursos, a decisão vocacional era sustentada por famílias que rezavam juntas e confiavam que Deus conduziria os filhos à verdadeira felicidade. Hoje, num mundo marcado pela instabilidade e pela lógica do “tentar e desistir”, a irmã Helena sublinha a importância de recuperar valores como a perseverança, a fidelidade e a capacidade de recomeçar.
“Cair faz parte do caminho. O importante é levantar-se”, afirma, também a partir da sua experiência como educadora.
Para a religiosa, ajudar os jovens a descobrir a vocação – seja ela religiosa, matrimonial ou profissional – passa, sobretudo, pelo testemunho.
“Os jovens precisam de ver que somos felizes na vida que escolhemos”. Uma felicidade que nasce do serviço, da relação com Deus e da doação concreta aos outros, especialmente aos mais frágeis.
No centro da sua fidelidade vocacional estão a vida fraterna, a missão e a Eucaristia. É na missão diária que encontra sentido renovado para a sua entrega, e é na Eucaristia que encontra força para recomeçar, mesmo nos momentos mais difíceis. “A Palavra de Deus ajuda-me a dizer todos os dias: vamos começar de novo”.
Aos jovens que sentem o chamamento de Deus, mas temem “perder a vida”, a irmã Helena Godinho deixa uma mensagem clara e confiante: “Arrisca. Confia. Não tenhas medo. O que se perde aos olhos do mundo ganha-se em plenitude em Cristo”. Uma certeza que se confirma na sua própria história, quando afirma, sem hesitar: “Se tivesse de escolher hoje, voltaria a escolher ser religiosa e franciscana”.
A semana da Vida Consagrada começou a 26 e termina no dia 2 de fevereiro a festa da Apresentação do Senhor. Nesse dia, a sua congregação recebe na Casa de São Francisco na ilha Terceira uma vigília de oração pela Vida Consagrada.
A Congregação das irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição foi fundada em Lisboa a 3 de maio de 1871 pela Madre Maria Clara do Menino Jesus e pelo Padre Raimundo dos Anjos Beirão. O seu carisma principal é a hospitalidade e a prática de obras de misericórdia, focando-se no auxílio aos mais necessitados, desamparados, pobres, refugiados e imigrantes, atuando em diversos setores como saúde e educação em quatro continentes.