Santuário celebra um ano como “espaço vivo de fé, oração e encontro”. Concelebração contou com a presença da equipa sacerdotal e de um coro de toda a ouvidoria

O Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Paz, em Vila Franca do Campo, assinalou o primeiro aniversário da sua criação com uma celebração marcada pela “gratidão”, pelos pedidos de oração e por um forte apelo à “construção da paz interior e comunitária”.
“Temos, neste lugar, a possibilidade de fazer parte de algo maior que nós, mas isto, este santuário, não existe sem nós, sem a nossa presença…são as pessoas o tesouro da fé cristã; são os peregrinos e as peregrinas que são o verdadeiro milagre neste lugar” afirmou o padre José Borges, que é o ouvidor e reitor deste Santuário, recordando que são mais de seis mil os visitantes que mensalmente sobem a este monte.
Na sua homilia, o presbítero recordou que a sacralidade do lugar não reside nas paredes, mas nas pessoas que ali rezam e se encontram com Deus.
“Não são as paredes que tornam este lugar sagrado; são as pessoas”, afirmou.
Ao longo deste primeiro ano, o santuário tornou-se um ponto de referência espiritual para muitos fiéis. Especialmente durante o tempo de Natal, chegaram centenas de mensagens com pedidos de oração, sobretudo pela saúde, vindas de emigrantes, doentes, e pessoas privadas de liberdade, que olham para este espaço como um lugar de esperança e comunhão.
A celebração, que começou com a invocação do dogma da maternidade divina de Maria (Theótokos), definido no Concílio de Éfeso, em 431, que o calendário litúrgico assinala hoje, contou com a participação de um coro formado por vozes de várias paróquias, sinal de uma Igreja que caminha unida e que se faz presente na diversidade, emprestando a sua voz para louvar o Senhor no dia dedicado a Nossa Senhora, mãe de Jesus e nossa mãe.
Neste Dia Mundial da Paz, a reflexão convidou à vivência da paz como um caminho paciente e quotidiano. Citando o teólogo Tomás Halík, o padre José Borges recordou que a paz cresce na paciência e na bondade
“A paciência connosco chama-se esperança; a paciência com os outros chama-se caridade”. Sublinhou ainda que a paz é uma necessidade essencial, “tão necessária como o pão para a boca”.
O primeiro aniversário do santuário foi apresentado não apenas como a celebração de um edifício, mas como a afirmação de uma missão. “Este não é apenas o aniversário do espaço físico, mas da fé que nos move, da missão que nos une e da paz que aqui encontramos, uma paz para além do barulho do mundo”, referiu.
Num tempo marcado por divisões e polarizações, deixou ainda um apelo à maturidade humana e espiritual, lembrando que ouvir o outro com respeito e gentileza é um verdadeiro sinal de grandeza.
“A paz não é apenas ausência de conflito; é uma opção que exige compromisso”, afirmou.
A celebração terminou com o convite a todos os fiéis e peregrinos para permanecerem em oração no santuário, nos dias seguintes, rezando pela paz, renovando assim o compromisso pessoal e comunitário com a construção de um mundo mais reconciliado.