Semana de oração pela Unidade dos Cristãos começa este domingo. Na Diocese existem duas celebrações: uma em Santa Maria, dia 24 e outra em Ponta Delgada, no dia 25

A Diocese de Angra assinala a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que se inicia este domingo, com duas celebrações marcadas para os dias 24, em Santa Maria e uma diocesana no dia 25 de janeiro, às 15h00, na Capela do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, com a participação do Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues. Este momento de oração comum será o ponto alto de uma semana que convida todas as comunidades cristãs a renovar o compromisso com a unidade, recordando que o Ecumenismo não se esgota num tempo específico do calendário, mas constitui uma dimensão permanente da fidelidade ao Senhor, por amor à Igreja e ao mundo que Deus ama.
O tema deste ano “Há um só corpo e um só Espírito… uma só esperança” recorda que “a paz cristã nasce do Crucificado-Ressuscitado, atravessa a verdade do pecado e das feridas humanas e concretiza-se na reconciliação”, apontando assim para o coração da fé cristã.
“Acolhê-la implica uma mudança de olhar: quem recebe esta paz é chamado a deixar de ver o outro como obstáculo e a reconhecê-lo como pessoa e, no horizonte do Evangelho, como irmão”, lê-se na Mensagem divulgada pela Comissão Diocesana para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso.
“É com este critério que se vive a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A diversidade de histórias e tradições não é, por si, um problema; o verdadeiro risco é permitir que a divisão se torne um hábito, pois isso contraria a vocação cristã, fere o testemunho do Evangelho e enfraquece a credibilidade do anúncio” sublinha a mensagem.
Por isso, prossegue: ” `Um só corpo´ não admite que a divisão se normalize; `um só Espírito´não deixa espaço para a hostilidade; `uma só esperança´ não consente a acomodação. Onde nós apenas contamos feridas, Deus reata a comunhão”.
Para o bispo de Angra, esta semana tem o mérito de ser “uma ocasião propícia a colocar o assunto na ordem do dia”. No entanto, não esconde que gostaria de a ver assinalada com ainda “maior adesão, com iniciativas locais em todas as dioceses, envolvendo jovens, comunidades e até instituições académicas”. E em particular nos tempos “desafiantes” que vivemos, “marcados por divisões e polarizações na sociedade”. Porque “o Ecumenismo, mais do que nunca, é um sinal de esperança. Ele mostra que é possível conviver respeitando diferenças, trabalhando juntos pelo bem comum e promovendo a paz”, reconhece D.Armando Esteves Domingues em declarações ao jornal digital 7MARGENS.
Para o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, que preside à Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização e tem acompanhado de perto o caminho do ecumenismo em Portugal ao longo dos últimos anos, não restam dúvidas de que esse caminho “tem evoluído de forma significativa”.
O prelado sublinha a importância do trabalho da Comissão para o Diálogo Ecuménico, composta por membros da CEP e do COPIC, “onde se vive e fortalece um espírito de grande fraternidade e diálogo, e se preparam e coordenam atividades conjuntas como a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, ou a nova App Eco Escolas sobre a sustentabilidade ambiental nas comunidades”.
“Temos conseguido criar espaços de encontro e reflexão entre igrejas, promovendo uma maior sensibilização para a unidade cristã e para o diálogo inter-religioso. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos tem tido, este ano, uma projeção maior, também porque associada à apresentação da nova Carta Ecuménica, o que nos enche de esperança”, assinala o bispo de Angra.
“Oportunidades, de facto, não faltam, mas nem sempre são devidamente aproveitadas, aponta o bispo Armando Esteves Domingues, ao mesmo tempo que deixa o alerta: “não podemos iludir-nos, ainda há muito por fazer”. O prelado confessa que “gostaria de ver esta semente [do Ecumenismo] presente em todas as dioceses, em todas as comunidades, envolvendo particularmente os jovens”. Porque “o diálogo ecuménico – defende o bispo de Angra – não deve ficar restrito aos encontros institucionais; deve ser vivido no dia a dia das nossas comunidades, tornar-se vida no seio de todo o povo de Deus”.
Uma coisa é certa, conclui Armando Esteves Domingues: “O Ecumenismo só será verdadeiramente vivo quando se tornar parte da vida quotidiana das nossas comunidades. Só aprofundando o que somos e conhecendo os que vão a Deus de modo diferente, poderemos construir comunidades mais unidas e um mundo mais justo e pacífico.”
De resto, este é o mote da mensagem da Comissão Diocesana que afirma que o Ecumenismo não é apenas “um tema da semana, mas um caminho que exige perseverança, forma o olhar e a palavra e impulsiona para encontros concretos, até que a comunhão se torne cada vez mais visível”.
O material de oração deste ano foi preparado na Santa Sé de Etchmiadzin, na Arménia, sede histórica e espiritual da Igreja Apostólica Arménia, no contexto da bênção do Myron (óleo sagrado) e da reconsagração da catedral-mãe, celebradas a 28 e 29 de setembro de 2024, após uma longa renovação. As propostas inspiram-se numa herança antiga de oração e invocação, bem como em hinos e na tradição monástica arménia, com raízes que remontam aos primeiros séculos do cristianismo, recorda ainda a mensagem .
A Comissão pede que na Diocese, em cada paróquia, unidade pastoral e ouvidoria, se assegure pelo menos um momento de oração ao longo da semana- de 18 a 25 de janeiro- e que, onde existam outras comunidades cristãs, se procure, na medida do possível, informá-las e envolvê-las em celebrações conjuntas.
Em Santa Maria, haverá uma celebração que decorrerá na Capela de Nossa Senhora do Ar, no Aeroporto, no dia 24, às 19h00.
Para apoiar este percurso, são ainda apresentadas sugestões temáticas para cada um dos dias da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
GUIÃO OITAVÁRIO 2026 – VERSÃO FINAL
Celebração diocesana da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos realiza-se a 25 de janeiro
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