“O Senhor nunca nos abandona”: jovens regressam das Flores com a fé renovada

Dois jovens- um residente no Pico outro em São Miguel- deixam o testemunho de mais de uma semana de peregrinação do Caminho Neocatecumenal, na ilha das Flores

Foto: André Roque durante um momento da Peregrinação dos Jovens na ilha das Flores

“Vivia uma vida que parecia livre, mas faltava-lhe sentido. Hoje sei que aquilo que me faltava era Cristo.” A afirmação é de André Roque, 28 anos, natural do continente e residente na ilha do Pico, um dos 160 jovens que participaram na peregrinação-missão do Caminho Neocatecumenal às ilhas das Flores e do Corvo, entre 27 de julho e 3 de agosto.

A experiência, vivida por jovens dos Açores e da Madeira, foi feita de oração, convivência, escuta da Palavra de Deus e encontro com as comunidades locais. Mas, para quem a vive, o maior fruto da peregrinação acontece no coração de cada participante.

Para André Roque, que cresceu numa família sem prática religiosa e tem atualmente mais dois irmãos no caminho, foi precisamente esse encontro pessoal com Cristo que mudou completamente a direção da sua vida.

“Cresci ateu e, quando conheci o Caminho, era agnóstico. Nem sequer era batizado. Fui batizado em adulto, em 2022. Estes anos de caminhada transformaram-me profundamente.”

Hoje, olhando para trás, reconhece que procurava uma liberdade que afinal escondia um vazio.

“Quando refletia sobre as grandes questões da vida – o sentido da existência, a morte, pro exemplo-  percebia que havia qualquer coisa que faltava. Agora percebo que aquilo que me faltava era Cristo.”

Esta foi já a sétima peregrinação desde que iniciou o Caminho Neocatecumenal. Ainda assim, diz que cada uma continua a ser uma experiência única.

Foto: Igreja de Santa Cruz recebe peregrinação dos Jovens do caminho Necatecumenal/CNC/IA

“Foi uma grande graça. Vivemos dias muito ricos na Palavra de Deus, na convivência e no encontro entre jovens muito diferentes, mas unidos no essencial, que é Cristo.”

Na sua perspetiva, estas peregrinações não servem apenas para testemunhar a fé junto das comunidades que acolhem o grupo.

“Embora deixemos algum testemunho por onde passamos, estas peregrinações são, sobretudo, uma enorme riqueza para nós. São momentos em que vamos beber à fonte que nos dá força para enfrentar a vida de todos os dias.”

André Roque acredita que Deus age de forma discreta, muitas vezes para além daquilo que é visível.

“Se teremos frutos nas Flores ou no Corvo, isso Deus saberá. Talvez se colham muitos sem nós alguma vez o sabermos. Se esta presença tiver servido para aproximar uma única pessoa de Deus, então já valeu a pena.”

Foto: Tomás Nunes

Também Tomás Nunes, de 21 anos, da ilha de São Miguel, regressou das Flores com a certeza de que Deus continua presente nas pequenas e grandes circunstâncias da vida. Licenciado recentemente em Engenharia Informática, reconhece que a peregrinação lhe permitiu reler a sua própria história.

“Esta peregrinação superou tudo. Houve momentos verdadeiramente tocantes.”

Entre esses momentos ficou gravado um versículo do Salmo 34: “Saboreai e vede como o Senhor é bom.”

“O Senhor é bom e nunca me abandona”, resume.

Essa certeza ganhou um significado muito concreto durante os anos da universidade.

“Muitas vezes, sobretudo nas épocas de exames, interrogava-me se seria capaz de terminar a licenciatura. Hoje sei que, se consegui chegar ao fim, foi o Senhor quem me deu ânimo e forças.”

As catequeses escutadas durante a semana ajudaram-no também a reconhecer algumas fragilidades pessoais.

“Muitas vezes sinto necessidade de me afirmar junto dos meus colegas, nem que seja para os fazer rir. Acabo por fazer coisas apenas para ser aceite. Mas isso deixa de fazer sentido quando descubro que tenho o amor de Deus. Não preciso de procurar continuamente o reconhecimento dos outros, porque Deus ama-me infinitamente como sou.”

Outra descoberta passou pela aprendizagem da espera.

“Muitas vezes não sei esperar. Mas o tempo do Senhor não é o meu tempo. Ele sabe.”

No final da peregrinação, Tomás Nunes leva consigo uma certeza que considera decisiva: “O Senhor está sempre comigo, nunca me abandona e quer construir comigo uma história magnífica.”

Além da experiência espiritual, guarda também a memória do acolhimento recebido nas Flores e no Corvo.

“Saio maravilhado pela beleza extraordinária do nosso arquipélago e profundamente agradecido pelos florentinos e corvinos. Sobretudo, saio certo de que Deus me chamou, me deu uns pais que me ensinaram o valor da fé e me diz todos os dias que me ama.”

A peregrinação reuniu cerca de 160 jovens dos Açores e da Madeira, acompanhados por famílias do Caminho Neocatecumenal. Ao longo da semana participaram nas eucaristias das paróquias de Santa Cruz e da Fazenda, percorreram diversos lugares da ilha das Flores e passaram ainda dois dias em missão na ilha do Corvo.

Já no final da missão, realizou-se uma chamada vocacional, durante a qual três rapazes e três raparigas manifestaram o desejo de iniciar um caminho de discernimento da sua vocação cristã.

Para André e Tomás, porém, o maior sinal desta semana não se mede por números. Mede-se pela certeza renovada de que Deus continua a chamar, a acompanhar e a transformar a vida de quem se dispõe a escutá-Lo.

Cerca de 160 jovens do Caminho Neocatecumenal testemunharam nas Flores a alegria de ser cristãos

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