“A peregrinação dos símbolos tirou os jovens do sofá e isso foi muito positivo”, afirma o padre Norberto Brum

Os símbolos que São João Paulo II entregou aos jovens nos anos 80 e que já percorreram o mundo inteiro, cumprem hoje a última etapa do périplo pela diocese de Angra, que termina na próxima terça feira.

Ao fim de quase um mês os símbolos entram na ouvidoria de Ponta Delgada, onde amanhã e depois vão visitar instituições como a Casa de Saúde de São Miguel, o Lar da Mãe de Deus, o Colégio de São Francisco Xavier, a Casa do Gaiato, a Associação Seara de Trigo, os Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada e à noite estarão presentes na Vigília no Santuário do Senhor Santo Cristo, que começa às 20h00.

Na terça-feira, dia em que sairão da diocese rumo a Lamego, ainda visitarão a Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes e a Casa de Saúde Nossa Senhora da Conceição.

A entrada dos símbolos em Ponta Delgada esta tarde de domingo fez-se na Rotunda da Autonomia e em procissão foram transportados, a pé, pela Rua de Lisboa até ao adro da Igreja do Convento da Esperança onde inúmeras pessoas os aguardavam.

A Missa campal na Igreja JMJ da ouvidoria- a Igreja do Santuário do Senhor Santo Cristo- acolheu assim a única celebração de ilha que mobiliza os jovens de são Miguel, envolvendo os  vários grupos da pastoral juvenil, catequética e litúrgica, com particular destaque para os escuteiros que foram uma presença assídua em todos os momentos. D. Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Fundação JMJ presidiu a esta missa, que contou com a participação do Administrador Diocesano, cónego Hélder Fonseca Mendes, e dos diretores do Comité Diocesano Organizador da JMJ, padre Norberto Brum e do Vice-reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, para além de outros sacerdotes assistentes da pastoral juvenil na maior ilha do arquipélago bem como ouvidores da ilha.

Na homilia o bispo auxiliar de Lisboa destacou o esforço de todos sublinhando que apesar das dificuldades, que “foram ultrapassadas em conjunto”, se os símbolos “não tivessem ido aos Açores não seria a mesma coisa”.

“Os símbolos passam a ser outros porque levam a vossa vida”, disse D. Américo Aguiar.

“Desde um grupinho pequenino no Corvo a outros de maior dimensão como este em Ponta Delgada; desde peripécias de aviões que não chegam a barcos que não navegam, a nevoeiro que ataca, a ventos que sopram, que maravilha por esta adrenalina. Acho que não iremos ter tanta adrenalina como tivemos aqui e isso é bom” disse D. Américo Aguiar agradecendo ao Comité Organizador Diocesano.

A partir da liturgia deste domingo, o prelado desafiou os jovens a serem capazes de sonhar e a darem largas aos seus sonhos.

“Temos encontrado jovens muito bons e por vezes temos a mania de nos considerarmos patinhos feios. Nós somos bons mas temos de ser capazes de sonhar, de sonhar grande e alto e lutar pelos sonhos e depois estamos cá nós a Igreja, a família, as escolas para ajudar a concretizar esses sonhos” afirmou.

“O que não podemos é ficar à espera; temos de fazer a nossa parte” insistiu.

D. Américo Aguiar lembrou o tema da JMJ- “Maria levantou-se e saiu apressadamente” para sublinhar que cada jovem deve sentir-se desafiado a desinstalar-se,  a correr atrás do seu sonho, procurando a sua vocação e mantendo-se firma na fé.

“A JMJ de Lisboa pretende ser um encontro com Deus vivo; é Ele que nos fortalece e nos ajuda em cada momento a ultrapassar as dificuldades”, concluiu.

“Independentemente do sítio onde vivemos todos temos dificuldades; alguns porventura terão dificuldades suplementares mas nada que não possamos ultrapassar e vencer porque Deus fortalece-nos”, frisou.

Durante a celebração foram acesas velas por intenção de cada uma das ilhas por onde os símbolos já passaram.

“Dia grande para Ponta Delgada”

No final da celebração o ouvidor de Ponta Delgada referiu-se a um grande dia para a diocese, mas também para a ouvidoria.

“De manhã abraçámos Roma a partir da Matriz de Ponta Delgada, na celebração da família e agora a chegada dos símbolos… aproveitemos estes momentos. Benvindos símbolos que nos levarão a Cristo, por Maria”, disse Monsenhor José Medeiros Constância.

“Foi uma viagem trabalhosa e alegre por todas as nossas ilhas; temos muito gosto que estejam nesta Igreja, que é a Igreja da juventude e agora fica unida a Lisboa”, disse ainda o sacerdote.

Diretor do COD de Angra diz que viagem dos símbolos foi o maio evento pós pandemia na diocese

Em declarações ao Igreja Açores, o responsável pela organização desta viagem, padre Norberto Brum, faz um balanço “muito positivo”.

“Todas as ilhas participaram e esta viagem deixa uma marca e um desafio: o de nos desinstalarmos”.

O sacerdote deixou ainda uma mensagem para a Igreja: “é preciso apostar numa pastoral juvenil que inclua e conte efetivamente com os jovens”.

“Foi o acontecimento maior e mais mobilizador do pós pandemia;  foi interessante ver a envolvência de todas as comunidades nos seus diferentes carismas. Esta visita tirou os jovens do sofá” disse o padre Norberto Brum.

Ainda no final da celebração, o bispo auxiliar de Lisboa ofereceu o seu solidéu a Luís Toste, um dos membros da equipa da pastoral juvenil que andou com os símbolos em todas as ilhas e a cruz peitoral da JMJ ao Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

Os símbolos vão estar esta noite em vigília numa visita às Irmãs Clarissas, residentes no único mosteiro de clausura da diocese, nas Calhetas de Rabo de Peixe, ouvidoria da Ribeira Grande.