«Não há absolutamente nenhum lugar» na Igreja para os que abusam de menores, escreveu Francisco

O Papa Francisco afirmou hoje que a Igreja Católica tem de fazer todos os possíveis para erradicar a “chaga” dos abusos sexuais sobre menores, numa carta enviada às Conferências Episcopais e institutos religiosos de todo o mundo.

“É preciso continuar a fazer todos os possíveis para erradicar da Igreja a chaga dos abusos sexuais sobre menores e abrir um caminho de reconciliação e de cura em favor dos que foram abusados”, refere a missiva, divulgada esta manhã pelo Vaticano.

Francisco rejeita que, nestas situações, haja “prioridade” para outro tipo de considerações, como por exemplo “o desejo de evitar o escândalo”.

“Não há absolutamente nenhum lugar no ministério [sacerdotal] para os que abusam de menores”, defende.

O Papa explica os objetivos da nova Comissão Pontifícia para a Tutela dos Menores, que visa “melhorar as normas e procedimentos” neste setor, com a ajuda de “personalidades altamente qualificadas e conhecidas pelo seu compromisso neste campo”.

Francisco recorda que em julho de 2014 se encontrou com algumas vítimas de abusos por parte de sacerdotes, uma “oportunidade para ser testemunha direta e comovida da intensidade dos seus sofrimentos e da solidez da sua fé”.

Segundo o Papa, esta comissão “pode ser um instrumento novo, válido e eficaz” para promover o compromisso da Igreja Católica, a todos os níveis, na concretização das “ações necessárias para garantir a proteção dos menores e dos adultos vulneráveis, dando respostas de justiça e misericórdia”.

 

Francisco anuncia que os membros deste organismo, que representam dioceses “de todo o mundo”, se vão reunir em Roma, pela primeira vez, “dentro de poucos dias”.

“As famílias têm de saber que a Igreja não poupa qualquer esforço para proteger os seus filhos”, assinala.

O Papa pede aos bispos e superiores religiosos uma “colaboração plena e atenta” com a comissão  pontifícia, para “reparar as injustiças do passado e ser sempre fiéis à tarefa de proteger os que são os prediletos de Jesus”.

A carta sublinha que em dezembro do último ano foram nomeados os novos membros da Comissão Pontifícia para a Tutela de Menores, agora com 16 responsáveis, metade dos quais mulheres.

O organismo é presidido pelo cardeal Sean Patrick O’Malley, dos Estados Unidos da América, que tem como secretário o também norte-americano monsenhor Robert Oliver.

Os outros membros são os jesuítas Humberto Miguel Yáñez, da Argentina, e Hans Zollner, da Alemanha; o canonista Claudio Papale, da Itália; as pedopsiquiatras Catherine Bonnet, de França, e Sheila Hollins, do Reino Unido; Marie Collins, da Irlanda, que foi abusada na sua juventude; a antiga primeira-ministra polaca Hanna Suchocka; o padre e psicólogo Luis Ali Herrera, da Colômbia; o psicoterapeuta Gabriel Dy-Liacco, das Filipinas; Bill Kilgallon, colaborador da Conferência Episcopal na Nova Zelândia; as irmãs Kayula Gertrude (Zâmbia) e Hermenegild Makoro (África do Sul); Kathleen McCormack, da Austrália; Peter Saunders, inglês que foi vítima de abusos sexuais; a neozelandesa Krysten Winter-Green, especialista no acompanhamento de casos de abusos de menores.

CR/Ecclesia