Foto: Vatican News

Francisco dedicou reflexão à colaboração e igualdade entre membros da hierarquia e leigos

O Papa alertou hoje para o carreirismo na Igreja, apelando a uma “colaboração real” entre membros da hierarquia e leigos.

“Todos somos iguais, somos iguais”, referiu, durante a audiência pública semanal, que reuniu milhares de pessoas na Praça de São Pedro.

Numa reflexão sobre a “paixão de evangelizar”, Francisco destacou que na Igreja há “diversidade de mistérios, mas unidade de missão”, antes de perguntar à assembleia “quem é mais importante”.,

“Somos todos cristãos, ao serviço dos outros”, insistiu.

Na Igreja não há promoções. Quando se entende a vida cristã como uma promoção, em que os de cima mandam nos outros porque conseguiu escalar… Isso não é cristianismo, é puro paganismo”.

Falando de improviso, o Papa alertou para a “vaidade dos cargos”.

“A vocação que Jesus dá a todos, mesmo aos que parecem estar em cargos mais altos, é o serviço”, precisou.

Francisco convidou mesmo a rezar por aqueles que, na Igreja, têm uma “vocação mais alta” e a vivem de forma “vaidosa”.

“A vocação de Deus é adoração ao Pai, amor à comunidade e serviço”, sustentou.

A catequese semanal retomou o ensinamento do Concílio Vaticano II sobre a relação entre a hierarquia e os leigos, destacando a “questão da igualdade em dignidade”, que leva a rejeitar a ideia de “categorias privilegiadas”.

“Escutar, humilhar-se, estar ao serviço dos outros. Isto é servir, isto é ser cristão, isto é ser apóstolo”, declarou Francisco.

Nas saudações aos peregrinos de vários países, o Papa pediu que os cristãos vivam “num espírito de colaboração, fundado sobre o diálogo e o respeito pela dignidade de cada um”.

O encontro contou com a presença de um grupo do Colégio Senhora da Boa Nova – Centro Paroquial do Estoril, no Patriarcado de Lisboa.

“Cada um de nós é chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo. É a nossa vocação batismal. Peçamos à Rainha dos Apóstolos que nos ajude a responder generosamente a este chamamento. Que Deus vos abençoe”, disse Francisco aos peregrinos de língua portuguesa.

O Papa agradeceu as mensagens que recebeu pelo seu 10.º aniversário eleição, em particular da Argentina, sua terra natal, e apontou à solenidade de São José, a data escolhida para o início solene do seu pontificado.

“Peçamos a Deus, por intercessão deste querido santo, que nos ajude a ser apóstolos fiéis e corajosos, abertos ao diálogo e dispostos a enfrentar os desafios da evangelização”, apelou.

Como tem acontecido desde o início da invasão russa, a 24 de fevereiro de 2022, o Papa deixou um pedido de oração pelo “martirizado povo ucraniano”, rezando pelo proteção da Virgem Maria, “Rainha da Paz”.

A intervenção assinalou, em particular, a situação das religiosas ortodoxas da Laura de Kiev, um dos mais antigos mosteiros cristãos da região.

“Peço às partes em guerra que respeitem os lugares religiosos. As irmãs, as pessoas consagradas à oração, seja qual for a sua confissão, são o apoio do Povo de Deus”, indicou.

Francisco manifestou ainda a sua proximidade às populações do Maláui, atingidas pelo ciclone tropical Freddy que também afetou Moçambique.

(Com Ecclesia)