
O Papa Leão XIV presidiu hoje, na Capela Sistina, à tradicional Missa com o batismo de crianças, onde defendeu a importância de transmitir a fé aos mais novos, comparando-a a bens de primeira necessidade.
“Quando sabemos que um bem é essencial, imediatamente o procuramos para aqueles que amamos. Quem de nós, de facto, deixaria os recém-nascidos sem roupa ou sem alimento, à espera que, quando crescessem, escolhessem como se vestir e o que comer?”, questionou o pontífice, durante a homilia.
“Queridos irmãos, se o alimento e a roupa são necessários para viver, a fé é mais do que necessária, porque com Deus a vida encontra a salvação”, acrescentou, na celebração que marca o fim do tempo litúrgico do Natal, no calendário católico.
O pontífice abordou as dúvidas sobre o batismo de crianças, sem consciência própria, sublinhando que “se o alimento e a roupa são necessários para viver, a fé é mais do que necessária, porque com Deus a vida encontra a salvação”.
Perante pais, padrinhos e familiares dos 20 novos batizados, reunidos sob os frescos de Michelangelo, Leão XIV afirmou que, através deste sacramento, as crianças são “transformadas”.
“Eis o Sacramento que celebramos hoje para estas vossas crianças: porque Deus as ama, elas tornam-se cristãs, nossos irmãos e irmãs. Os filhos que agora tendes nos braços são transformados em criaturas novas. Assim como receberam a vida de vós, pais, agora recebem o sentido para vivê-la: a fé” disse Leão XIV.
Refletindo sobre o Batismo de Jesus no rio Jordão, o Papa descreveu Cristo como “luz nas trevas” e o “Santo entre os pecadores”, que quis habitar no meio da humanidade “sem manter distâncias”.
“Aquele que é batizado por João no Jordão faz deste gesto um novo sinal de morte e ressurreição, de perdão e comunhão”, explicou.
Dirigindo-se às famílias, Leão XIV deixou ainda uma mensagem sobre o ciclo da vida e o cuidado recíproco: “Certamente, chegará o dia em que eles [os filhos] se tornarão pesados para carregar nos braços; e chegará também o dia em que serão eles a sustentar-vos”.
A Missa, com mais de uma hora de duração, seguiu os ritos próprios do sacramento, incluindo a oração do exorcismo, a unção com o óleo da crisma, a renúncia a Satanás, a entrega da veste branca e o acender da vela no círio pascal, simbolizando a “luz de Cristo ressuscitado”.
Tal como aconteceu nos últimos anos do pontificado de Francisco, a Eucaristia foi celebrada num altar colocado excecionalmente diante da representação do Juízo Final, permitindo ao Papa celebrar de frente para a assembleia, ao contrário do antigo altar fixo na parede.
A tradição de o Papa batizar crianças na Capela Sistina, inaugurada em 1512 por Júlio II, foi instituída por São João Paulo II em 1983.
Esta foi a primeira vez que Leão XIV presidiu à festa do Batismo do Senhor e, no final da Missa, entregou um presente aos pais das crianças, funcionários do Vaticano.
(Com Ecclesia)