Papa lembra cristãos impedidos de viver a Semana Santa devido à guerra

Foto: Lusa

O Papa apelou hoje à paz no Médio Oriente, manifestando a sua proximidade espiritual aos cristãos da região impedidos de celebrar plenamente os ritos da Semana Santa devido à guerra.

“No início da Semana Santa, estamos mais do que nunca unidos em oração aos cristãos do Médio Oriente, que sofrem as consequências de um conflito atroz e, em muitos casos, não podem viver plenamente os ritos destes dias santos”, disse Leão XIV, no final da celebração de Domingo de Ramos, a que presidiu na Praça de São Pedro.

Antes da recitação do ângelus, perante milhares de pessoas, o pontífice sublinhou a necessidade de recordar os que sofrem diretamente com o conflito armado.

“A sua provação interpela a consciência de todos”, sustentou.

O patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, anunciou na última semana o cancelamento da tradicional procissão de Ramos e o adiamento da Missa Crismal na região.

Na sua intervenção desta manhã, Leão XIV alargou a sua oração aos povos feridos pela violência global, pedindo a abertura de caminhos concretos de reconciliação.

“Desejo também confiar ao Senhor os marítimos que são vítimas da guerra”, assinalou.

O pontífice recordou ainda as tragédias migratórias, dirigindo uma prece particular pelas vítimas mortais de um naufrágio recente ao largo da ilha de Creta.

“A terra, o céu e o mar foram criados para a vida e para a paz”, declarou.

Na sua homilia, o Papa contrapôs a atitude pacífica de Cristo à violência do mundo.

“Olhemos para Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra. Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência”, ilustrou.

No início da Semana Santa, momento central do ano litúrgico, milhares de pessoas acorreram à Praça de São Pedro.

Leão XIV sublinhou que Cristo não se armou nem travou nenhuma guerra, manifestando o rosto manso de Deus que rejeita a violência e se deixa cravar na cruz para abraçar “todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da humanidade”.

“Da sua cruz, Cristo, Rei da paz, ainda clama: Deus é amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!”, afirmou.

“Olhando para Ele, que foi crucificado por nós, vemos os crucificados da humanidade. Nas suas chagas vemos as feridas de tantas mulheres e homens de hoje”,  disse.

A celebração começou com a bênção dos ramos, junto ao obelisco, na Praça de São Pedro, e a procissão de entrada, com centenas de representantes da assembleia.

“No seu último grito dirigido ao Pai ouvimos o choro de quem se encontra abatido, sem esperança, doente, sozinho. E, sobretudo, ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra”, declarou.

Leão XIV concluiu a sua reflexão confiando à Virgem Maria “as lágrimas de todas as vítimas da violência e da dor”.

Milhares de flores e plantas, provenientes da Itália e dos Países Baixos, vão adornar a Praça de São Pedro e a Basílica do Vaticano, ao longo dos próximos dias.

Este domingo foram distribuídas palmas e de ramos de oliveira, além dos tradicionais ‘palmurelli’, com folhas de palmeira entrançadas.

A Igreja Católica inicia hoje os ritos da Semana Santa, o momento central do calendário litúrgico, comemorando os acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Os dias centrais arrancam na Quinta-feira Santa, com a Missa Crismal e a celebração vespertina da Ceia do Senhor, marcando o início do Tríduo Pascal.

O calendário litúrgico prossegue com a celebração da morte do Senhor na Sexta-feira Santa, marcada pelo silêncio e jejum, culminando com a Vigília Pascal.

(Com Ecclesia)

 

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