Leão XIV apela à oração e solidariedade com populações atingidas pelas cheias na Península Ibérica, Marrocos e sul da Itália

“Asseguro a minha oração pelas populações de Portugal, Marrocos, Espanha, em particular de Grazalema, na Andaluzia, e do sul de Itália, especialmente de Niscemi, na Sicília, afetadas por inundações e deslizamentos de terra”, disse Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus.
“Encorajo as comunidades a permanecerem unidas e solidárias com a proteção maternal da Virgem Maria”, acrescentou.
Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa pediu que os católicos continuem também a “rezar pela paz”.
“As estratégias de poder económico e militar, como nos ensina a história, não dão futuro à humanidade. O futuro está no respeito e na fraternidade entre os povos”, disse.
14 pessoas morreram em Portugal desde a última semana, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram muitas centenas de feridos, desalojados e elevados danos materiais, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Leão XIV assinalou 12.º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas
O Papa afirmou hoje que a fé cristã exige gestos concretos de solidariedade, sublinhando que Deus nunca considera ninguém como “descartável”.
“Quantas pessoas – talvez já tenha acontecido também connosco – se sentem descartáveis, imperfeitas. É como se a sua luz tivesse sido escondida. Jesus, porém, anuncia-nos um Deus que nunca nos descartará, um Pai que guarda o nosso nome, a nossa singularidade”, declarou Leão XIV, desde a janela do apartamento pontifício.
Perante os fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a oração do ângelus, o Papa refletiu sobre as imagens do “sal” e da “luz”, propostas pelo Evangelho, ligando-as à necessidade de combater a injustiça social.
Leão XIV citou o profeta Isaías para elencar as atitudes que dão “sabor” à vida: “Partilhar o pão com o faminto, acolher em casa os miseráveis, os sem-abrigo, vestir quem vemos nu, sem esquecer os vizinhos e as pessoas da nossa casa”.
“São, realmente, os gestos concretos de abertura aos outros e de atenção, aqueles que reacendem a alegria. Com certeza que, na sua simplicidade, eles nos colocam em contracorrente.”
O Papa alertou para a tentação do poder e da vaidade, recordando que o próprio Cristo rejeitou, no deserto, os caminhos de “afirmar a sua identidade, exibi-la, ter o mundo a seus pés”.
“[Jesus] rejeitou os caminhos em que perderia o seu verdadeiro sabor, aquele que encontramos todos os domingos no Pão partido: a vida doada, o amor que não faz barulho”, sublinhou.
Para Leão XIV, a comunidade cristã deve ser como uma “cidade no monte”, mas “sem qualquer tipo de ostentação”, tornando-se “não apenas visível, mas também atrativa e hospitaleira, a cidade de Deus, onde, no fundo, todos desejam habitar e encontrar a paz”.
“Na verdade, é a verdadeira alegria que dá sabor à vida e traz à luz o que antes não existia. Depois de o termos encontrado, parece insípido e opaco tudo o que se afasta da sua pobreza de espírito, da sua mansidão e simplicidade de coração”, concluiu.
Após a recitação do ângelus, o Papa evocou a celebração do Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, por ocasião da memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita (8 de fevereiro), religiosa sudanesa que foi escravizada desde os sete anos de idade.
“Agradeço às religiosas e a todos aqueles que se empenham em combater e eliminar as formas atuais de escravatura. Junto com eles, afirmo que a paz começa com a dignidade”, referiu.
Na última sexta-feira, o Papa tinha lançado um apelo global para acabar com o tráfico de pessoas, um “crime contra a humanidade” que exige mobilização em defesa das vítimas.
“Por ocasião do 12.º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, renovo com firmeza o apelo urgente da Igreja para enfrentar e pôr fim a este grave crime contra a humanidade”, escreveu Leão XIV.
(Com Ecclesia e Vatican News)