Papa pede que Rússia e Ucrânia parem ataques contra objetivos civis

Foto: Lusa

O Papa pediu hoje que Rússia e Ucrânia parem os recentes ataques contra objetivos civis, defendendo o respeito pelo “direito humanitário”.

“Perante tanta dor, renovo um veemente apelo para que se respeite o direito humanitário e cessem, de ambas as partes, os ataques que envolvem objetivos civis. A guerra não faz senão gerar mais guerra e provoca enormes sofrimentos”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus.

Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Leão XIV começou por aludir às “notícias dolorosas de pessoas inocentes mortas e feridas, na Ucrânia e na Rússia.

“Os episódios trágicos sucedem-se, e, aliás, multiplicam-se, provocando cada vez mais vítimas civis, incluindo crianças”, lamentou.

O Papa manifestou a sua proximidade às “as famílias das vítimas, aos feridos e a todos aqueles que sofrem por causa do conflito em curso”.

“É tempo de parar a espiral de violência e de dar espaço à diplomacia e ao diálogo, para abrir caminho à paz”, sustentou.

Os ataques russos à Ucrânia fizeram entre sexta-feira e sábado de manhã provocaram 13 mortos e 77 feridos, sobretudo devido a drones e mísseis balísticos.

A Rússia, que iniciou uma invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, intensificou os ataques nas últimas semanas.

Na madrugada de sábado, a Ucrânia atingiu duas refinarias no sul e sudoeste da Rússia, no âmbito de um ataque com cerca de 400 drones, informaram as autoridades locais.

A partir da liturgia, o Papa alertou  contra a arrogância nos momentos de triunfo pessoal e apelou à resistência perante o desespero.

“Não devemos perder a esperança, mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos a recuar em vez de avançar”, disse, durante a recitação dominical do ângelus.

A reflexão partiu do episódio evangélico em que Jesus caminha sobre as águas do mar da Galileia.“Este milagre ensina-nos algo importante: em primeiro lugar, a não nos vangloriarmos pelo sucesso e a nunca nos considerarmos superiores aos outros”, advertiu Leão XIV aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.Falando desde a janela do apartamento pontifício, o Papa destacou que a experiência da própria fragilidade constitui uma etapa necessária para afastar as ilusões de grandeza, como aconteceu com os discípulos de Jesus.

“Para chegar a este ponto, não lhes bastou assistir a um milagre, nem ter tido bom êxito diante das pessoas”, recordou, ao descrever o pânico dos apóstolos durante a tempestade.

Perante adversidades imprevisíveis e o vento contrário, acrescentou Leão XIV, “a presença do Senhor muda tudo”

“Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona e, se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida, nele encontraremos a paz, a luz e a força para o nosso caminho”, disse.

Após a oração, o Papa saudou os vários grupos de jovens e adolescentes que dedicam “alguns dias de férias a atividades formativas e de amizade”, falando num “sinal de esperança”, tal como foi o encontro dos jovens franciscanos a que presidiu na última quinta-feira, em Assis.

“A todos vós, rapazes e raparigas que me escutais, desejo recordar que, nestes dias, o calendário litúrgico propõe algumas admiráveis figuras de santos e santas que vos convido a conhecer melhor”, indicou.

Leão XIV recordou as celebrações litúrgicas de São Domingos, fundador dos Dominicanos; de Santa Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein, carmelita morta em Auschwitz e copadroeira da Europa; de São Lourenço, diácono da Igreja de Roma; e de Santa Clara de Assis, “que deixou uma vida abastada para seguir Jesus, pobre e humilde, à semelhança do seu concidadão São Francisco”.

“Caros jovens, deixai-vos entusiasmar por estas exemplares testemunhas do Evangelho”, concluiu.

(Com Ecclesia)

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