Reportagem este domingo no programa de rádio Igreja Açores

Na ilha Terceira, a Rádio Lajes continua a cumprir uma missão singular no panorama mediático português. Mais do que uma rádio local, esta estação de rádio, ligada à Força Aérea Portuguesa, assume-se como um elo entre militares, comunidade e território, levando informação, companhia e também reflexão a quem a escuta.
O seu diretor, o Padre Moisés Rocha, destacou essa realidade numa entrevista ao portal Igreja Açores, que será emitida este domingo depois do meio-dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra, ficando depois disponível em podcast no site Igreja Açores, bem como no YouTube e no Spotify.
Fundada em 1947, a Rádio Lajes é hoje a única emissora das Forças Armadas em Portugal. Funciona 24 horas por dia e conta atualmente com uma equipa reduzida — seis militares e dois civis — que asseguram uma programação diversificada, entre música, informação e conteúdos institucionais.
Ao longo das décadas, teve momentos marcantes, como durante o Sismo de 1980 nos Açores, quando foi a única rádio a manter-se em emissão, tornando-se essencial na comunicação numa altura de crise.
Segundo o Padre Moisés Rocha, a estação não serve apenas para “animar” os militares destacados na Base das Lajes, mas também para dar a conhecer a missão da Força Aérea, sobretudo no apoio às populações.
“Estamos aqui para garantir a paz e salvar vidas”, sublinha, recordando as frequentes missões de evacuação médica e resgate no arquipélago.
Uma voz que chega onde outros não chegam
Apesar da sua natureza militar, a Rádio Lajes tem também uma forte ligação à comunidade civil, sobretudo na Praia da Vitória e em Angra do Heroísmo. A sua emissão chega a populações que encontram na rádio companhia e proximidade, especialmente em contextos de isolamento.
É nesse contexto que surge um dos espaços mais marcantes conduzidos pelo diretor: a reflexão sobre o Evangelho de domingo. O sacerdote explica que o objetivo é simples, mas profundo : ler o Evangelho, contextualizá-lo e propor pistas de reflexão que ajudem os ouvintes a interiorizar a mensagem.
“É um meio de formação e de motivação”, afirma, acrescentando que recebe feedback de ouvintes que acompanham regularmente estes momentos, sinal de que continuam a ter impacto.
A ligação do padre Moisés Rocha à rádio começou nos anos 80, quando, enquanto capelão da Força Aérea, foi colocado na Base das Lajes. Entre funções sociais e pastorais, começou a fazer pequenos programas de reflexão, criando uma ligação duradoura com o meio radiofónico.
Com o tempo, assumiu também responsabilidades na área social junto dos militares, apoiando sobretudo jovens deslocados do continente, muitos deles longe de casa pela primeira vez. Esse papel reforçou a dimensão humana da sua missão.
Hoje, além de diretor da Rádio Lajes, mantém a convicção de que tanto a rádio como a própria Força Aérea são espaços de formação de valores — disciplina, responsabilidade, espírito de grupo — que considera essenciais na sociedade atual.
Sendo uma rádio integrada numa estrutura militar, a Rádio Lajes opera também com limites claros. Determinados conteúdos estão sujeitos a validação hierárquica, sobretudo quando dizem respeito a operações ou contextos sensíveis.
Ainda assim, o diretor garante que a prioridade é manter uma comunicação equilibrada, centrada na promoção da paz, da esperança e da verdade, evitando leituras políticas ou alarmistas.
Num mundo que descreve como “muito estranho”, insiste: “Não podemos desanimar”. E conclui com um apelo simples, mas firme: “Temos que fazer um esforço para manifestar que não desistimos — tenhamos esperança.”
Numa entrevista gravada nas vésperas da Páscoa, o Padre Moisés Rocha deixou uma mensagem clara aos ouvintes: a necessidade de esperança num mundo marcado por conflitos e incertezas.
Inspirado pela mensagem cristã, reforça a importância de não ceder ao desânimo e de procurar uma “vida nova”, baseada na paz, na solidariedade e na confiança no futuro. Uma mensagem que, à semelhança da Rádio Lajes, procura chegar longe, não apenas em quilómetros, mas sobretudo no coração de quem escuta.






