
O Vaticano publicou hoje os dois primeiros relatórios finais dos grupos de estudo do Sínodo, que apresentam propostas para a missão da Igreja no ambiente digital e sugerem a inclusão de mulheres na formação dos futuros sacerdotes.
O relatório do grupo de estudo n.º 4, dedicado à formação para o sacerdócio, apresenta orientações para uma renovação numa perspetiva sinodal e missionária, entre elas a “inclusão de mulheres preparadas e competentes como corresponsáveis em todos os níveis da formação” dos seminários.
O texto, citado pela agência Ecclesia e divulgado online, sugere ainda a “alternância entre a permanência no seminário e a residência em comunidades paroquiais ou outros ambientes eclesiais” dos candidatos ao sacerdócio.
O grupo de trabalho defende que os seminaristas tenham “experiências e momentos de formação compartilhados com leigos, pessoas consagradas e ministros ordenados desde a etapa preparatória”.
Por sua vez, o grupo de estudo n.º 3 debruçou-se sobre a missão no ambiente digital, recolhendo os contributos de uma consulta alargada a agentes pastorais e especialistas de todos os continentes.
O relatório sublinha a “necessidade de integrar a missão digital nas estruturas ordinárias da Igreja”, recomendando o “aprofundamento do conceito de jurisdição territorial à luz das comunidades online” e a necessidade de apostar na formação do clero para a cultura digital.
Os grupos de estudo foram instituídos por mandato do Papa Francisco, no início de 2024, no período que mediou as duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema da sinodalidade.
A decisão confiou a peritos de todos os continentes uma série de questões com implicações teológicas, pastorais e jurídicas complexas, para um maior aprofundamento.
Leão XIV determinou que estes relatórios finais sejam tornados públicos de forma progressiva, concretizando o compromisso com “a transparência e a prestação de contas” perante as comunidades católicas.
O secretário-geral do Sínodo, cardeal Mario Grech, explicou que este trabalho conjunto é “a sinodalidade posta em prática, não uma simples colaboração burocrática”.
O responsável alertou que os relatórios hoje divulgados “devem ser entendidos como documentos de trabalho, um ponto de partida e não de chegada”.
Com a entrega destes contributos, os grupos de estudo 3 e 4 dão por concluído o seu mandato e são dissolvidos.
A Secretaria-Geral do Sínodo, em conjunto com os Dicastérios da Cúria Romana, terá agora a tarefa de traduzir o que emergiu nestes relatórios em “propostas operacionais” práticas, que serão depois entregues à avaliação e aprovação do Papa.
A próxima publicação de relatórios de grupos de estudo está agendada para o dia 10 de março.
A XVI Assembleia Geral do Sínodo, cuja segunda sessão decorreu de 2 a 27 de outubro de 2024, teve como tema ‘Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão, missão’; o processo começou com a auscultação de milhões de pessoas, pelas comunidades católicas, em 2021, e a primeira sessão sinodal decorreu em outubro de 2023.
Francisco promulgou o documento final e enviou-o às comunidades católicas, sem publicação de exortação pós-sinodal, uma possibilidade prevista na constituição apostólica ‘Episcopalis communio’ (2018), tendo ainda convocado uma inédita Assembleia Eclesial, para 2028.
O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.
(Com Ecclesia)