Romeiros arrancam para a estrada a 21 de fevereiro com lema “Batizados na Esperança”

Este ano saem 53 ranchos mas  “a força do movimento continua em alta” diz Rui Melo, o presidente da Comissão Administrativa que este ano tem a missão de organizar as romarias quaresmais de São Miguel

Foto: Igreja Açores/CR

As romarias quaresmais em São Miguel arrancam a 21 de fevereiro e, ao longo das cinco semanas da Quaresma, deverão mobilizar cerca de 2.500 homens, distribuídos por 53 ranchos. A informação foi avançada por Rui Melo, responsável pela comissão administrativa que coordena a organização deste ano em entrevista ao programa de rádio Igreja Açores que vai para o ar este domingo, depois do meio-dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra.

“Vamos ter 53 ranchos”, refere, confiante na força do movimento e no impacto espiritual da caminhada.

O grande lema escolhido para 2026 é  “Batizados na Esperança”, proposta que surgiu na sequência do retiro espiritual realizado no Nordeste. Segundo Rui Melo, este momento formativo ofereceu bases importantes para os mestres decidirem a orientação espiritual dos seus grupos.

“Agora seguem-se as preparações próprias de cada rancho, tanto a nível espiritual como prático e físico”, explica.

A mensagem do bispo diocesano assume, este ano, um tom marcadamente social, algo que o responsável considera significativo.

“Ao contrário de tempos passados, em que as intenções eram mais formais e centradas em categorias tradicionais, o prelado sublinha hoje problemas muito concretos que afetam as famílias açorianas”, afirma ainda.

Entre eles estão as dificuldades vividas nos lares, a doença, a solidão dos mais vulneráveis, as dependências que atingem muitos jovens, a violência doméstica e o alcoolismo.

“São realidades que nos tocam profundamente. Muitas vezes os problemas começam em casa, e a mensagem do senhor bispo fala exatamente para esse quotidiano que fere tantas famílias”, sublinha.

Os ranchos já iniciaram as reuniões semanais há várias semanas. A dimensão doutrinal é central: oração, leitura da Bíblia e devoção mariana fazem parte da rotina. Mas existe também uma “componente cívica” que Rui Melo considera “indispensável, até porque os romeiros pernoitam em casas de famílias e em salões paroquiais”.

“Queremos continuar o que sempre foi bem feito. As recomendações de bom comportamento são um princípio fundamental”, afirma.

O responsável lembra ainda que a romaria não termina com a peregrinação.

“A verdadeira romaria é a que fazemos no dia a dia, na família, na comunidade, nos ambientes onde nos movemos. Não queremos homens perfeitos, mas pessoas atentas e disponíveis para tentar viver os valores do Evangelho.”

Num movimento que junta homens de diferentes idades e formações, o respeito mútuo é essencial.

“Todos são irmãos, e todos temos de estar à altura uns dos outros. Um romeiro tenta sempre ser melhor”, resume.

Do ponto de vista logístico, a organização mantém a linha dos anos anteriores, introduzindo apenas pequenos aperfeiçoamentos. Quer nos salões, quer nas casas particulares, o acolhimento continua a ser marcado pela generosidade.

“As pessoas trabalham muito para nos receber bem, preparam colchões, alimentação. Somos sempre muito bem acolhidos e isso obriga-nos a saber estar, como sinal de gratidão”, destaca.

A partilha entre mais novos e mais velhos é outro traço forte das romarias. Durante o percurso, os irmãos apoiam-se mutuamente, tanto no esforço físico como nas dificuldades que surgem.

No final, apesar das dores e do cansaço, prevalece a alegria.

“Caminhar em comunidade, focados nas coisas boas, dá-nos alimento e alento espiritual. Muitos acabam já a pensar em voltar no próximo ano”, conclui Rui Melo.

A entrevista pode ser ouvida na integra no progra aIgreja Açores que vai para o ar na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra este domingo, depois do meio-dia, ficando disponível em podcast aqui e nas plataformas Itunes e Spotify.

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