Santuários diocesanos aprofundam dimensão espiritual e definem programas de acolhimento para além do período de festa

A Pastoral dos Santuários Diocesanos entra neste novo ano com uma visão renovada e claramente orientada para a especificidade de cada espaço de devoção, tendo em conta a especificidade de cada um, mas centrada no mesmo tema “que dizes de ti mesmo”, num alinhamento com a pastoral diocesana que interpela cada cristão a fazer uma revisão de vida sobre a forma como vive o seu batismo.
“Os santuários são chamados a oferecer aquilo que, muitas vezes, nem as paróquias nem outros movimentos conseguem proporcionar: tempo, espaço e propostas concretas para o aprofundamento da espiritualidade e da oração” afirmou ao sítio Igreja Açores o padre Ricardo Henriques reitor do santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Angra e coordenador dos seis santuários diocesanos.
Essa aposta torna-se particularmente visível no Santuário de Nossa Senhora da Paz, que já anunciou três grandes objetivos pastorais para este ano, indo muito além da vivência centrada apenas nas festas religiosas, tradicionalmente o ponto alto da vida destes espaços.
O primeiro objetivo passa pela criação das “sentinelas da paz”, uma iniciativa dirigida sobretudo aos jovens, com forte enfoque na sensibilização ambiental. Em articulação com os serviços florestais da ilha, está prevista uma ação de reflorestação do Monte da Paz, unindo fé, cuidado da criação e compromisso cívico.
O segundo eixo é a formação de uma rede de “serventuários”, ou seja, voluntários que assegurem, de forma permanente e continuada, o acolhimento dos peregrinos e visitantes, reforçando a dimensão humana e espiritual da experiência no santuário.
Por fim, o Santuário de Nossa Senhora da Paz aposta na formação, através do seminário “Batizados no Espírito”, destinado a peregrinos e fiéis interessados em aprofundar temas centrais da vida cristã e humana, como o luto, a morte e o sentido da vida.

Segundo o padre Ricardo Henriques, esta dinâmica enquadra-se numa visão mais ampla para todos os santuários diocesanos. Cada um, respeitando a sua realidade insular e cultural, deve desenvolver uma pastoral própria, centrada na espiritualidade, na oração e na possibilidade de “refazer o caminho interior”, com especial atenção à família. Nesse contexto, os retiros familiares surgem como uma proposta concreta e necessária, onde também os grupos de voluntariado paroquial podem dar um contributo importante.
O coordenador recorda ainda que os santuários são, por natureza, lugares de acolhimento universal. Recebem crentes e não crentes, pessoas de outras religiões, turistas ou simples visitantes ocasionais, todos à procura de um espaço de silêncio, interiorização, reflexão e meditação. Para além disso, estes espaços podem oferecer materiais simples, como panfletos informativos, subsídios litúrgicos, orações tradicionais e contemporâneas, ajudando muitos a descobrir ou redescobrir dimensões da fé cristã.