Diretor deixa mensagem de “esperança e confiança no futuro” aos cerca de quatro mil migrantes que residiam em 2019 nos Açores

A pandemia impediu o Serviço Diocesano de Apoio à Mobilidade Humana de cumprir grande parte do seu programa de evangelização agendado para este ano ainda assim, na semana em que Portugal assinala a 48ª Semana das Migrações, o diretor deixa uma mensagem de esperança e confiança no futuro.

“A mensagem, que deixo a todos os emigrantes e refugiados, é uma mensagem de muita esperança e confiança no futuro, que aparentemente não é muito risonho, mas não nos esqueçamos que Cristo continua a caminhar no meio das ondas agitadas da pandemia ao lado de quem mais sofre e oportunamente haverá bonança” afirmou ao Igreja Açores o cónego Jacinto Bento..

Este ano a 48º Semana das Migrações tem como tema “Forçados com Jesus Cristo a Fugir” e entre hoje e amanhã, realiza-.se em Fátima a Peregrinação Nacional dos Migrantes e Refugiados.

“Nós nos Açores não temos nenhum refugiado, mas, em 2019, tínhamos 3889 migrantes”; na ilha Terceira residiam “407 em Angra e 209 na Praia da Vitória” avançou o sacerdote.

“O nosso Serviço Diocesano de Apoio à Mobilidade Humana tem tido uma colaboração muito próxima com a Caritas e a AIPA, que tem prestado um serviço muito eficiente e competente junto dos migrantes, encaminhando-os para os serviços governamentais competentes a fim de obterem documentos necessários, encontrarem casa, trabalho, aprenderem a língua, receberem informações junto das finanças ou do SEF”, esclareceu ainda o responsável diocesano.

Este ano, por causa da pandemia o Serviço teve de cancelar uma série de iniciativas que têm constituído “uma oportunidade de evangelização” como são as peregrinações aos lugares santos.

“O ano passado fizemos de 20 a 30 de julho uma peregrinação a santuários marianos de Portugal, Espanha e França. Já, este ano fizemos uma Peregrinação à Terra Santa de 29 de janeiro a 5 de fevereiro” adiantou sublinhando que na altura fizeram um donativo de dois mil euros, para serem usados no apoio aos refugiados do Iraque, que estão aos cuidados da Igreja Mãe de Jerusalém, na Jordânia.  Este donativo foi o produto do bazar, que os amigos da Terra Santa dos Açores fizeram por ocasião das festas de Angra.

“Este ano tínhamos programado outro bazar, mas dadas as circunstâncias não foi possível realizá-lo. Tínhamos mais três peregrinações, que não se fizeram pelas mesmas razões. Também não foi possível representar a diocese nos encontros nacionais, embora tenha havido dois encontros por videoconferência” refere o sacerdote.

A Igreja Católica em Portugal promove até domingo, 16 de agosto, a Semana Nacional de Migrações, inspirada pela mensagem do Papa Francisco, ‘Forçados, como Jesus Cristo a Fugir’, procurando apresentar “testemunhos de vida” sobre a realidade das deslocações forçadas, por causa da pobreza ou da guerra.

“Vamos dinamizar de maneira diferente, e envolver as pessoas o mais possível nesta semana, as pessoas que trabalham com migrantes e refugiados mas não só; vivemos um tempo em que percebemos que estamos no mesmo barco e na mesma casa comum, mas com muitas desigualdades e percebemos que conseguimos fazer muito quando trabalhamos em conjunto”, referiu à Agência Ecclesia Eugénia Costa Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM).

Perante as limitações impostas pela pandemia, a OCPM decidiu lançar um desafio aos “colaboradores e agentes pastorais ao serviço da Igreja” mas também a organismos da sociedade civil.

“Queremos conhecer o percurso migratório, tomar a iniciativa de contar a sua história de vida e fazer-nos chegar todas as iniciativas, seja em formato vídeo, seja por escrito, seja gravando um áudio ou até quem tem jeito para o desenho que faça uma banda desenhada”, explica Eugénia Quaresma.

Através do endereço ocpm@ecclesia.pt os contributos recolhidos vão dinamizar a semana nacional de Migrações e projetar o Dia Mundial do Migrante e Refugiado 2020 (27 de setembro).

A diretora da OCPM aponta ainda que, neste semana que o enfoque recai sobre as migrações forçadas, as suas causas, os deslocados internos e a cooperação internacional, a “sociedade precisa dos migrantes e refugiados”.

“É preciso perceber que a nossa sociedade precisa de migrantes e de refugiados, contar com o talento de todos e aprender a conviver e não embarcar nos estereótipos e no que vemos discorrer nas redes sociais, que é tão triste e revela ignorância, vamos por isso conhecer para compreender”, destaca.

O bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana, D. José Traquina, preside à peregrinação de agosto, dias 12 e 13 de agosto, que “é marcada sempre pelo calor da diáspora”, no Santuário de Fátima.

O 106.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado tem como tema ‘Forçados, como Jesus Cristo, a fugir. Acolher, proteger, promover e integrar os deslocados internos’.

Francisco destaca na sua mensagem para a celebração que aqueles que fogem da sua terra, sem abandonar o próprio país, vivem, muitas vezes, um drama “invisível” que a crise mundial causada pela pandemia de Covid-19 “exacerbou”.

A OCPM, inspirada pela mensagem pontifícia para este ano, propõe uma dinamização em torno da conjugação de verbos, que se constituem em seis subtemas: “Conhecer para compreender; aproximar-se para servir; ouvir para se reconciliar; compartilhar e assim crescer; envolver para promover;  colaborar para construir”.

A Secção ‘Migrantes e Refugiados’ do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé) é responsável pela preparação desta celebração, antecedida por uma campanha de comunicação, atualmente em curso.