Por Renato Moura

O 25 de Abril festejou-se próximo de eleições. E festejou-se de verdade?

Houve quem comemorou com alegria, mas demasiadas formações, nomeadamente políticas, guerrearam-se. Custa-me sempre ver a festa transformar-se em dia de mágoa, ou de luta. São tantos os dias, não faltam ocasiões para apresentar propostas diferentes, defender com veemência pontos de vista e até atingir a contestação frontal.

Gostaria e creio que seria útil aproveitar o dia de comemoração da liberdade para declarações de princípios essenciais, afirmação de valores comuns, disponibilização de vontades para as grandes causas colectivas: contributos para a mobilização social pacífica, indispensável ao progresso e desenvolvimento. Cumprir o dever inalienável para com os jovens, pois precisam de conhecer a ditadura, os direitos conquistados, as expectativas criadas, os projectos prometidos, os valores da liberdade readquirida e os poderes da democracia conquistada.

As forças políticas mostram-se agora de cabeça perdida e nem disfarçam a sofreguidão de votos. Primeiro para a eleição europeia, completamente desvirtuada do seu objectivo. Usam-na para compelir na da Assembleia da República: o partido de governo quer que sirva para julgar já o trabalho do executivo e daí resulte um louvor; os partidos à direita também querem julgamento, só que do mesmo esperam condenação da maioria parlamentar; os partidos da oposição que apoiaram o governo, querem que algumas medidas do executivo sejam vistas como da sua exclusiva influência, e outras, ou a inexistência, condenáveis por recusa dela.

Dão-se alvíssaras a quem tenha descortinado os projectos europeus dos partidos e as diferenças entre eles! E o que se retira dos cartazes?! Os comportamentos políticos parlamentares e partidários, quanto à luta dos professores, fazem tema central deste tempo. Cada qual afirma uma coisa e o seu contrário e depois assevera que sempre disse o mesmo! Diz-se uma coisa e vota-se outra! Até se declara que nem se sabe o que se votou! Anunciam-se cálculos de custos que, entre as contas de uns e de outros diferem centenas de milhões: a política já transformou a ciência matemática numa batata!

O que está por detrás trouxe à ribalta as forças sindicais; boas ou más, velhas ou bebés, conforme os olhos ou os tempos. Com realidades ou imagens, manigâncias ou chantagens, o ambiente geral é de desordem, crispação, guerrilha e radicalização.

E o astuto tagarela calou-se!

Ao cidadão comum e eleitor, só resta tentar emergir do caos e exercer os deveres cívicos e morais.