Iniciativa voltou a juntar as igrejas Católica e presbiteriana de Ponta Delgada

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos terminou na Diocese de Angra com uma celebração ecuménica marcada pela alegria, pelo louvor e por um forte apelo à unidade vivida sobretudo no quotidiano da vida.
“O ecumenismo não se vive só na oração, vive-se também na vida”, disse o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, convidando todos a dar graças a Deus pelos passos já dados na unidade e a acreditar no “milagre que o Senhor continua a fazer a partir da cruz”.
O prelado diocesano deixou ainda um desafio concreto: sair à cidade e criar novos relacionamentos.
“A cidade precisa de todos, o mundo precisa de todos”, afirmou, recordando que aquilo que verdadeiramente une os cristãos é a cruz, a luz e a atração de Cristo. A cruz, disse, “é como um íman que atrai e transforma, ajudando a desarmar ódios, juízos e maledicências, substituindo a máscara do medo pela máscara do amor”.
A iniciativa, presidida conjuntamente por D. Armando Esteves Domingues, bispo de Angra, e pelo pastor Carlos Rosa, da Igreja Presbiteriana de Ponta Delgada, num gesto que simbolizou o caminho já percorrido e os desafios ainda presentes no diálogo entre as igrejas, decorreu na Capela do Hospital do Divino Espírito Santo, espaço ecuménico enriquecido por um painel do artista Urbano, reunindo fiéis maioritariamente católicos.
Na sua intervenção, D. Armando Esteves Domingues disse, ainda, que a presença de todos era sinal de fé na força da oração e de pertença a um povo que não se limita a uma única igreja, mas que se reconhece como parte de todas.
“Se estamos aqui é porque acreditamos na força da oração e nos sentimos povo, não de uma igreja, mas de todas as igrejas”, afirmou, destacando a riqueza da diversidade cristã.
O bispo de Angra, que é também o presidente da Comissão Episcopal para Missão e a Nova Evangelização, falou dos avanços registados nas relações ecuménicas e do “tempo novo” que hoje se vive, marcado por maior proximidade, amizade e alegria no relacionamento entre as igrejas. Reconhecendo que a divisão não é exclusiva do mundo cristão, alertou para uma sociedade cada vez mais marcada pela solidão e indiferença.
Também o pastor Carlos Rosa refletiu sobre a dificuldade humana em viver a unidade, muitas vezes ofuscada pela tentação de olhar mais para aquilo que separa do que para aquilo que une.
“Somos um em Cristo”, recordou, sublinhando que o essencial da fé cristã é Jesus de Nazaré, aquele que criou um lugar para todos, independentemente das circunstâncias.
Inspirando-se nas cartas de São Paulo, escritas em contexto de prisão, o pastor destacou que o apóstolo não se queixou do sofrimento, mas convocou as comunidades para o essencial: “ a viver a presença de Deus em todos os momentos”. Alertou ainda para o risco de se dar mais ouvidos ao ruído do mundo do que à voz do Evangelho, defendendo a urgência de deixar o Espírito Santo tocar cada coração e de anunciar a fé com coragem.
Carlos Rosa chamou a atenção para o simbolismo do dia em que terminou a Semana de Oração, coincidente com a conversão de São Paulo, lembrando que a luta pela unidade é contínua e exige um constante esvaziamento das diferenças para dar lugar àquilo que une: a fé em Jesus Cristo. Defendeu também que existem muitas oportunidades ao longo do ano para reforçar a comunhão entre os cristãos, desde as grandes festas litúrgicas até iniciativas simples que promovam o encontro e a partilha.
A celebração contou ainda com a intervenção de Francisco Almeida Medeiros, coordenador da Comissão Diocesana para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, agora integrada no Instituto Católico de Cultura, que recordou a Carta aos Efésios e a ligação desta Semana de Oração à Igreja Arménia, responsável pela preparação dos materiais deste ano. Sublinhando a história da Arménia como a primeira nação cristã, destacou que a unidade é uma verdadeira questão de sobrevivência, lembrando todos os cristãos perseguidos que ainda hoje não conseguem viver livremente a sua fé.
A celebração foi fortemente marcada pelos cânticos de louvor, repetindo-se ao longo do encontro o refrão “Somos um em Cristo, um só Deus, um só Senhor”. Foram proclamadas leituras do Antigo Testamento (Isaías 58, 6-11) e da Carta de São Paulo aos Efésios (4, 1-13), reforçando a mensagem central da unidade, da justiça e do compromisso cristão no mundo.






