O trabalho dos leigos nas comunidades é fundamental.

Vem isto a propósito de dois momentos que marcam a agenda da igreja portuguesa e da açoriana, em particular.

No fim de semana passado a Diocese do Porto recebeu o II Encontro Nacional de Leigos. Esta semana e na próxima, a diocese de Angra vai promover, em dois momentos, uma formação específica para leigos- a 30 de janeiro, na Igreja do Colégio em Ponta Delgada e a 1 de fevereiro no Salão do Seminário Episcopal de Angra, na ilha Terceira. Ambas serão asseguradas pelo sacerdote dominicano Frei Bento Domingues.

Um e outro momento são importantes em todas as suas dimensões, porque, em primeiro lugar, convidam-nos  a viver a Alegria do Evangelho que segundo o Papa Francisco “enche o coração e a vida daqueles que se encontram com Jesus”.

Mas, também são importantes porque ambos nos empurram para uma reflexão sobre o papel dos leigos na igreja de hoje. E é talvez a parte mais importante desta história.

Para cumprir uma missão com responsabilidade, os leigos necessitam de ter uma formação doutrinal, pastoral e espiritual adequada e sólida, sem a qual não poderão dar um testemunho cabal de Cristo. A boa vontade e a disponibilidade são essenciais mas não chegam. Tal como no mundo das leis é importante sabe-las, manuseá-las e interpreta-las porque é dessa boa interpretação que resultará uma boa aplicação do edifício jurídico, também é do bom conhecimento da doutrina que se pode de forma competente explicar o evangelho.

Os leigos são por definição os homens da igreja no coração do mundo mas também são os homens do mundo no coração da Igreja. Isto não são só palavras. Se é certo que o papel dos leigos está definido há cinquenta anos numa opção conciliar, traduzida desde logo na constituição “Lumen Gentium”, temos de ser capazes de consubstanciar esta opção no dia-a-dia das nossas paróquias e ouvidorias.

 

 

Acima de tudo, devemos refletir sobre o que os leigos querem e estão disponíveis para dar à Igreja, mas também o que a igreja permite que os leigos dêem. Esta reflexão não só é necessária como urgentíssima porque o Espírito Santo que desceu sobre os apóstolos é o mesmo que distribui a cada um de nós os seus dons, que têm de ser colocados ao serviço do bem comum.

A vocação secular dos leigos, vivida com entusiasmo e fidelidade, é tão digna como outras dentro da estrutura eclesial.  Todos têm de compreender isso. E quando assim não for, devem ser os leigos os primeiros a reclamar, porque a sua função não é serem extensões do clero,  nem da hierarquia.

Aliás, uma das grandes conquistas do Concílio Vaticano II foi a igreja ter tomado consciência que precisa de ser mais sacramental ; estar onde for necessária a sua missão e agir sem ceder à tentação de ser guardiã de umas quantas verdades.  Ora os leigos têm tudo a ver com isto: ser, estar e agir. Como o tal coração do mundo, até para que a Igreja se entenda melhor.