Tertúlias na sacristia da Sé promovem formação e diálogo entre a Igreja e a sociedade

O Conselho Pastoral da Sé de Angra vai promover, ao longo da Quaresma, a iniciativa “C’a fé na Sé”, um ciclo de encontros de formação e diálogo que decorrerá na Sacristia Episcopal, sempre às 19h00.

A iniciativa parte do projeto pastoral da paróquia e, segundo o pároco da Sé, cónego Hélder Miranda Alexandre, pretende ser acima de tudo “um momento de formação, mas também de encontro e, sobretudo, de diálogo”.

Num ambiente simples e acolhedor, “a partir de uma chávena de café ou de chá”, os participantes serão convidados a conversar sobre “coisas essenciais da fé, do diálogo com o mundo” e a aprofundar “a identidade cristã”. O presbítero sublinha que a proposta nasce “da família paroquial da Sé”, mas está aberta a todos os que queiram participar.

O programa organiza-se em três grandes momentos. O primeiro será dedicado à identidade cristã e ao significado da Quaresma como caminho catecumenal. “Queremos abordar aquilo que é a essência do nosso cristianismo, da nossa caminhada cristã”, explica o cónego Hélder Miranda Alexandre, destacando a importância de redescobrir o que significa ser cristão hoje.

Num segundo momento, haverá espaço para conhecer melhor a própria Sé e os seus tesouros. Serão apresentados os catálogos já publicados e, com o apoio da Comissão Diocesana dos Bens Culturais, será promovida uma “visita guiada” à catedral e aos seus espaços museológicos, valorizando o património religioso como expressão viva da fé.

O ciclo culminará, a 27 de março, com a intervenção do bispo diocesano, D. Armando Esteves Domingues, sobre o tema “A Igreja na cidade”, numa reflexão alargada à realidade de Angra do Heroísmo e ao fenómeno religioso na cidade.

Questionado sobre o lugar da Igreja na sociedade atual, o pároco reconhece que “a Igreja já perdeu o fenómeno de ser maioria ou de ser uma presença esmagadora na sociedade”. Numa cidade “muito cultural e multifacetada, com outras tendências e ideologias”, considera essencial saber dialogar.

Embora a Sé tenha “uma presença muito forte nesta cidade, desde a sua origem — Angra nasce por causa da diocese”, o sacerdote entende que “é preciso fazer novas pontes e estabelecer diálogos”. Aponta ainda para um desafio crescente: “nota-se que muitos cristãos perderam um bocadinho a sua identidade, não sabem porque são cristãos”.

Para o cónego Hélder Miranda Alexandre, estas iniciativas não se esgotam no espaço físico da sacristia: “Estas estruturas são feitas na sacristia, mas não são fechadas na sacristia; servem de ponte para refletirmos como comunidade o que podemos fazer de melhor.”

Referindo-se à realidade de uma cidade episcopal, admite que, historicamente, as sedes episcopais podem gerar distanciamento, sobretudo quando associadas a uma imagem de poder. Contudo, sublinha que, na Diocese de Angra, tem sido feito “um caminho de aproximação, de procura de ir ao encontro e não criar obstáculos”.

Com “C’a fé na Sé”, a paróquia propõe assim um percurso quaresmal marcado pela formação, pelo diálogo e pela redescoberta da identidade cristã, reforçando a comunhão e a presença da Igreja no coração da cidade.

 

 

 

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