Este ano a festa conta também com uma serenata na noite anterior

A ilha de Santa Maria volta a celebrar, no domingo dia 8, a tradicional Festa de Nossa Senhora da Purificação, também conhecida como Senhora das Candeias, uma celebração profundamente enraizada na identidade religiosa e cultural da ilha. A festividade em Santo Espírito realiza-se, como manda a tradição, no domingo seguinte ao dia 2 de fevereiro, reunindo a comunidade em torno da luz, da fé e da devoção mariense.
As protagonistas da festa são as candeinhas velas artesanais, mais finas do que as velas comuns, feitas propositadamente para esta ocasião. Em Santa Maria, estas velas recebem o nome próprio de “candeinhas” e são confecionadas manualmente com cera natural, numa tradição que atravessa gerações.
Segundo o padre João Ponte, esta é uma celebração com um caráter quase exclusivo da ilha. “É uma festa muito paroquial, muito ligada à alma da nossa comunidade, embora nesta altura também haja uma grande mobilidade de pessoas, como acontece no Pico ou em São Miguel, com a Senhora da Estrela. Muitos vêm sobretudo para apanhar a sua candeinha”, explica.
A devoção à Senhora da Purificação tem origem na paróquia de Santo Espírito, em Santa Maria, e está associada à busca da luz e da proteção divina.
“As pessoas procuram esta luz que vem do próprio Deus. A luz simboliza sempre a capacidade de iluminar as situações mais diversas da nossa vida. Por isso acendemos velas aos santos, pedindo graças, proteção e orientação”, refere o sacerdote.
Esta festa marca ainda, para muitos fiéis, o encerramento simbólico do ciclo do Natal.
“Não liturgicamente, mas para as pessoas, é aqui que se fecha este grande tempo. Tal como o Cantar às Estrelas noutras ilhas, aqui é a festa da luz que encerra esse período”, acrescenta.
Em Santa Maria, a celebração não acontece a 2 de fevereiro, data litúrgica da Apresentação do Senhor, sendo transferida para o domingo seguinte, de forma a permitir uma maior participação da população. Este ano, a festa realiza-se no dia 8 de fevereiro.
A origem exata da tradição perde-se no tempo.
“Não temos uma data concreta, mas é certamente algo muito antigo, possivelmente desde a construção da igreja e do desenvolvimento do culto”, afirma o padre João Ponte.
As candeinhas são feitas pelos próprios fiéis da freguesia, que se reúnem cerca de quinze dias antes da festa para a sua confeção.
“É completamente diferente de comprar uma vela. Estas são feitas pelas próprias pessoas, com cera natural, e isso dá-lhes um valor sentimental muito grande”, sublinha.
O programa da festa inclui Missa Solene ao meio-dia, com a bênção das candeias, seguida do tradicional leilão. Como novidade deste ano, será introduzida, pela primeira vez, a Serenata da Luz, na noite de sábado, véspera da festa. O evento terá lugar às 20 horas, na Igreja de Santo Espírito, e pretende adaptar à realidade mariense tradições como o Cantar às Estrelas, envolvendo grupos de reis e capelas da ilha.



