Tríduo Pascal e Missa de Páscoa marcam o ponto alto do ano litúrgico cristão

A Igreja celebra, entre a Quinta-feira Santa e o Domingo de Páscoa, o Tríduo Pascal, período central da fé cristã que culmina na Vigília Pascal,  a mais importante celebração do calendário litúrgico, dedicada à ressurreição de Jesus

Foto: Igreja Açores/CR (Arquivo)

O Tríduo Pascal, considerado o momento mais alto do ano litúrgico, tem início na tarde de Quinta-feira Santa com a celebração da Ceia do Senhor e estende-se até à tarde do Domingo de Páscoa. Durante estes três dias, os fiéis acompanham, passo a passo, os momentos decisivos da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Na Quinta-feira Santa, são recordados dois momentos centrais: o mandamento do amor – “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” – e a instituição da Eucaristia, quando Jesus dá novo significado ao pão e ao vinho, apresentados como o seu Corpo e Sangue, pedindo que este gesto seja repetido em sua memória ao longo dos tempos.

Durante o canto do hino do “Glória” tocam-se os sinos pela última vez, que ficam silenciosos até ao “Glória” da Vigília Pascal, na noite de sábado para domingo.

Foto: Igreja Açores/CR (Arquivo)

Após a Missa, só volta a existir celebração da Eucaristia, na Igreja Católica, na Vigília Pascal; antes da celebração, o sacrário deve estar vazio e, no final da mesma, após a oração da comunhão, forma-se um cortejo, passando por toda a Igreja, que acompanha as hóstias consagradas até ao lugar onde ficam até à noite de sábado, numa capela reservada para o Santíssimo Sacramento.

Simbolicamente, o altar da celebração é desnudado, como sinal do despojamento e sofrimento do Cristo, sendo sugerido ainda que se cubram as cruzes da Igreja com um véu de cor vermelha ou roxa.

Foto: Igreja Açores/HS

Na Sexta-feira Santa, recordam-se os sofrimentos e a morte de Jesus na cruz. A celebração da Sexta-feira Santa não mudou muito na estrutura comemorativa. A comunhão dos fiéis foi introduzida, sendo restaurada já pela reforma de 1955. A celebração acontece no início da tarde. O padre usa vestes vermelhas, simbolizando a realeza de Cristo, e isso desde o início da celebração. A entrada do celebrante, feita sem canto, continua com a prostração e a oração silenciosa. Posteriormente, a partir do ambão, é proclamada uma das coletas à sua escolha, de nova composição. Segue-se a liturgia da Palavra. As leituras foram alteradas, e com isso a visão teológica também mudou. A primeira leitura do profeta Oséias é substituída pela do Servo Sofredor de Isaías. Mesmo a segunda, em vez da leitura do Êxodo, proclama-se hoje a carta aos Hebreus, que significa o sacrifício de Cristo. O Evangelho, segundo a tradição antiga, é sempre o de João. Pode-se fazer uma breve homilia seguida das orações solenes.

A segunda parte da celebração é a adoração da Cruz, que foi simplificada.

Já o Sábado Santo é marcado pelo silêncio e pela evocação da sepultura, sem celebrações litúrgicas formais durante o dia.

Foto: Igreja Açores/TO (Arquivo)

O ponto culminante acontece na noite de sábado para domingo, com a Vigília Pascal, a mais antiga e solene celebração cristã, que assinala a ressurreição de Jesus, fundamento da fé cristã.

A Vigília Pascal é composta por quatro partes fundamentais: A liturgia da luz, a da palavra, a batismal e a eucarística.

A celebração inicia-se no exterior da igreja, com a bênção do fogo novo. A partir dele, acende-se o círio pascal, símbolo de Cristo ressuscitado, no qual são inscritos o alfa e o ómega, representando o princípio e o fim. A luz do círio é depois partilhada com os fiéis, simbolizando a vitória da luz sobre as trevas.

São proclamadas várias leituras bíblicas que percorrem a história da salvação, desde o Antigo até ao Novo Testamento. Estas leituras recordam as ações de Deus ao longo da história e culminam no anúncio da ressurreição.

Este momento inclui a bênção da água e, quando possível, a celebração de batismos. Mesmo quando não há novos batizados, os fiéis renovam as promessas do seu batismo, reafirmando a fé cristã.

A celebração culmina com a Eucaristia, em que os fiéis comungam, celebrando a presença viva de Cristo ressuscitado.

Nos primeiros séculos, a data da Páscoa variava entre Oriente e Ocidente, até que o Concílio de Niceia, no ano 325, estabeleceu critérios comuns: a Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera.

No século XX, o Papa Pio XII restaurou a celebração da Vigília Pascal durante a noite, tradição confirmada pelo Concílio Vaticano II. Atualmente, a celebração deve ocorrer após o pôr do sol de sábado e antes do amanhecer de domingo.

Scroll to Top