A Ouvidoria de São Jorge está a reforçar o trabalho em rede entre paróquias através das Unidades Pastorais, num processo gradual que aposta na colaboração, na inclusão de migrantes e no maior envolvimento dos leigos, apesar de algumas resistências e limitações ainda existentes

O modelo das Unidades Pastorais, recentemente implementado na ilha de São Jorge, sobretudo depois da visita pastoral em dezembro de 2024, procura promover uma pastoral de conjunto, onde comunidades diferentes partilham recursos, serviços e responsabilidades, sem perder a sua identidade própria. De acordo com o ouvidor, padre Vítor Medeiros, todas as paróquias já criaram os seus órgãos de comunhão, como conselhos pastorais e económicos, e começam agora a dar passos na articulação ao nível das zonas.
Um dos eixos centrais deste processo é o reforço do papel dos leigos, que assumem responsabilidades concretas em áreas como a catequese, a pastoral juvenil e a comunicação. O próprio Conselho Pastoral da Ouvidoria é presidido por um leigo, refletindo uma aposta clara na corresponsabilidade dentro da Igreja.
Entre os principais desafios identificados está a integração de migrantes, uma realidade crescente em São Jorge. A presença de comunidades estrangeiras, nomeadamente de origem cabo-verdiana e brasileira, leva a Igreja local a repensar estratégias de acolhimento, promovendo uma pastoral de proximidade e inclusão.
A dinamização da juventude é outra prioridade, embora reconhecidamente difícil num contexto de múltiplas solicitações externas. Iniciativas como retiros, encontros formativos e atividades ligadas à natureza são apontadas como caminhos possíveis para envolver os mais jovens.

Apesar dos progressos, o processo enfrenta dificuldades. Algumas comunidades mostram resistência à mudança e à colaboração interparoquial, enquanto a falta de infraestruturas adequadas limita a realização de atividades pastorais, sobretudo em períodos marcados pelas tradições do Espírito Santo.
Ainda assim, experiências já desenvolvidas em várias zonas da ilha demonstram que a cooperação é possível e traz resultados positivos. O trabalho, sublinha o ouvidor, exige tempo, escuta e adaptação à realidade local, sendo um caminho que não se faz de forma imediata, refere o padre Vítor Medeiros.
Numa fase ainda de conhecimento da realidade da ilha, o padre Vítor Medeiros aponta como prioridade a construção de uma Igreja mais próxima das pessoas, capaz de responder aos novos desafios sociais e de promover uma vivência comunitária mais participativa e integrada.
A entrevista na íntegra pode ser ouvida no próximo domingo, no programa de rádio Igreja Açores, que vai para o ar depois do meio-dia, no Rádio clube de Angra e na Antena 1 Açores. Esta é mais uma entrevista da ronda que o Igreja Açores está a fazer percorrendo todas as ouvidorias da diocese no primeiro de nove anos de caminho até à celebração dos 500 anos da dioecse insular.