O Papa Francisco anunciou hoje a realização de um consistório para a criação de 21 cardeais, incluindo o arcebispo de Díli (Timor-Leste), D. Virgílio do Carmo da Silva, de 53 anos.

Em setembro de 2019, o Papa tinha decidido criar a Província Eclesiástica de Díli, nomeando D. Virgílio do Carmo da Silva como primeiro arcebispo metropolita do território.

O futuro cardeal, religioso salesiano, foi nomeado bispo de Díli a 30 de janeiro de 2016, por Francisco, e participou no Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, em 2018.

O consistório para a criação dos novos cardeais vai decorrer a 27 de agosto e é o primeiro desde novembro de 2020.

“Rezemos pelos novos cardeais, a fim de que, confirmando a sua adesão a Cristo, me ajudem no meu ministério de bispo de Roma, pelo bem de todo o Santo Povo de Deus”, pediu hoje o Papa, após a recitação da oração pascal do ‘Regina Coeli’.

A lista inclui ainda dois arcebispos brasileiros e o arcebispo de Goa e Damão, na Índia.

A lista inclui 16 futuros cardeais com menos de 80 anos de idade, eleitores num eventual conclave.

Este será o oitavo consistório do atual pontificado, após os realizados a 22 de fevereiro de 2014, 14 de fevereiro de 2015, 19 de novembro de 2016, 28 de junho de 2017, 28 de junho de 2018, 5 de outubro de 2019 e 28 de novembro de 2020.

O Colégio Cardinalício tinha até agora 208 membros(91 com mais de 80 anos), incluindo cinco portugueses: D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima, D. José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecário da Santa Sé, todos criados pelo Papa Francisco e eleitores num eventual conclave; D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor emérito; e D. José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, ambos com mais de 80 anos.

O Papa anunciou ainda que, a 29 e 30 de agosto, vai promover uma reunião de todos os cardeais, para refletir sobre a nova constituição para a Cúria Romana, os serviços centrais de governo da Igreja Católica, um projeto central do atual pontificado.

A constituição apostólica ‘Praedicate evangelium’ (Pregai o Evangelho), publicada a 19 de março deste ano, propõe uma Cúria mais atenta à vida da Igreja Católica no mundo e à sociedade, rejeitando uma atenção exclusiva à gestão interna dos assuntos do Vaticano.

Novos cardeais eleitores (por ordem de criação)

D. Arthur Roche (Inglaterra), prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé)

D. Lazzaro You Heung sik (Coreia do Sul), prefeito da Congregação para o Clero (Santa Sé)

D. Fernando Vérgez Alzaga (Espanha), presidente da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano e presidente do Goveratorado do Estado da Cidade do Vaticano

D. Jean-Marc Aveline (França), arcebispo de Marselha

D. Peter Okpaleke (Nigéria), bispo de Ekwulobia

D. Leonardo Ulrich Steiner (Brasil), arcebispo de Manaus

D. Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão (Índia), arcebispo de Goa e Damão

D. Mons. Robert Walter McElroy (EUA), bispo de San Diego

D. Virgílio do Carmo da Silva (Timor-Leste), arcebispo de Díli

D. Oscar Cantoni (Itália), bispo de Como

D. Anthony Poola (Índia), bispo de Hyderabad

D. Paulo Cezar Costa (Brasil), arcebispo de Brasília

D. Richard Kuuia Baawobr (Gana), bispo de Wa

D. William Goh Seng Chye (Singapura), arcebispo de Singapura

D. Adalberto Martínez Flores (Paraguai), arcebispo de Assunção

D. Giorgio Marengo (Itália), prefeito apostólico de Ulaanbaatar (Mongólia).

Cardeais com mais de 80 anos

D. Jorge Enrique Jiménez Carvajal (Colômbia), arcebispo emérito de Cartagena

D. Lucas Van Looy (Bélgica), arcebispo emérito de Gent

D. Mons. Arrigo Miglio(Itália), arcebispo emérito de Cagliari

Padre Gianfranco Ghirlanda, sj, (Itália), professor de Teologia

Mons. Fortunato Frezza (Itália), cónego de São Pedro

A história dos cardeais começa por estar ligada ao clero de Roma, mas chega hoje cada vez mais longe: a partir de agosto, serão 90 os países representados no Colégio Cardinalício, 69 dos quais com cardeais eleitores.

Desde 2013, quando os cardeais eleitores da Europa representavam 56% do total, Francisco tem vindo a alargar as fronteiras das suas escolhas, com uma mudança mais visível no peso específico da África, Ásia e Oceânia.

A 27 de agosto, Timor-Leste, Paraguai, Singapura e a Mongólia passam a ter representantes no atual Colégio Cardinalício.

(Com Ecclesia)