Vida Consagrada é “profecia da presença” onde a dignidade é ferida e a fé é provada

Foto: Vatican Media

O Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica enviou uma carta aos religiosos do mundo, classificando a sua missão como uma “profecia da presença”.

“Trata-se de experiências que revelam a forte dimensão profética da vida consagrada como uma ‘presença que permanece’: ao lado de povos e indivíduos feridos, em lugares onde o Evangelho é vivido em condições de fragilidade e provação”, refere o documento divulgado hoje pelo Vaticano.

A missiva, assinada pela prefeita do Dicastério, Ir. Simona Brambilla, pelo pró-prefeito, cardeal Ángel Fernández Artime, e pela secretária, Tiziana Merletti, surge na antecipação do 30º Dia Mundial da Vida Consagrada, que se celebra na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro.

Na Igreja Católica, a Vida Consagrada é constituída por homens e mulheres que se comprometeram, pública e oficialmente, a viver (individualmente ou em comunidade) os votos de pobreza, castidade e obediência para toda a vida.

O Dicastério sublinha que o ato de “permanecer” não é passividade, mas uma escolha consciente e muitas vezes arriscada.

“O ‘permanecer’ evangélico nunca é imobilidade nem resignação: é esperança ativa que gera atitudes e gestos de paz”, esclarecem os responsáveis.

A carta destaca que esta presença se manifesta através de “palavras que desarmam” em contextos de conflito e “escolhas que protegem os pequenos, mesmo quando ficar do lado deles exige um preço a pagar”.

“Em muitas partes do mundo, a situação política e social põe à prova a confiança e corrói a esperança: é precisamente por isso que a presença fiel, humilde, criativa e discreta de pessoas consagradas torna-se um sinal de que Deus não abandona o seu povo”, lê-se no documento, publicado pelo portal ‘Vatican News’.

O Dicastério enumera as várias formas de vida consagrada como expressões de uma única profecia: a vida contemplativa que “custodia a esperança”, a vida apostólica que sustenta a “dignidade ferida” e os institutos seculares que atuam como “fermento discreto” na sociedade.

Em outubro, aquando do Jubileu da Vida Consagada, em Roma, o Papa pediu aos consagrados que “trabalhem para se tornar sempre mais ‘especialistas de sinodalidade’, profetas ao serviço do povo”.

“A Igreja pede-lhes hoje que sejam testemunhas especiais nas várias dimensões de sua vida, em primeiro lugar caminhando em comunhão com toda a grande família de Deus, sentindo-a como Mãe e Mestra, compartilhando a alegria de sua vocação e também, onde necessário, superando divisões, perdoando injustiças sofridas, pedindo perdão pelos fechamentos ditados pela autorreferencialidade”, disse Leão XIV, na manhã desta sexta-feira, no Auditório Paulo VI, Vaticano.

O primeiro pontífice da Ordem de Santo Agostinho (agostinianos), da qual foi responsável mundial, referiu-se aos campos de atuação dos consagrados e consagradas – como a fraternidade, junto aos pobres e no cuidado da criação -, mas pediu atenção particular à promoção da sinodalidade, recuperando a definição de “diálogo doméstico”, de São Paulo VI.

Leão XIV acrescentou que é essa s missão entusiasmante que hoje é confiada aos consagrados, para uma contínua renovação do Corpo de Cristo nas relações, nos processos e nos métodos.

“Trabalhem para tornarem-se, dia após dias, cada vez mais ‘especialistas de sinodalidade’, para serem profetas a serviço do povo de Deus”, acrescentou.

O Papa, um dia depois de ter presidido à Missa do Jubileu da Vida Consagrada, que reuniu milhares de pessoas na Praça de São Pedro, onde sublinhou a importância do “despojamento” na espiritualidade cristã, esta sexta-feira, salientou também que a Igreja precisa desta diversidade e riqueza das formas de consagração e de ministério.

“Com esta vitalidade e com o testemunho de uma vida onde Cristo é o centro e o Senhor, vocês podem contribuir a ‘despertar o mundo’. Neste sentido, deve-se reiterar sempre quando seja importante para todos vocês estar radicados”, desenvolveu Leão XIV.

Segundo o Papa, os consagrados podem tornar-se um “traçado de um caminho luminoso no grande projeto de paz e salvação” que Deus tem para a humanidade, incentivou que “voltem ao coração”, como local no qual redescobrir a centelha que animou o início da própria vocação, e assinalou que são portadores e testemunhas da profunda necessidade de esperança e paz que habita o coração de cada homem e mulher deste tempo.

Leão XIV lembrou, como dizia o Papa Francisco, que a sua esperança “não se baseia em números ou obras, mas Naquele” em quem depositam a confiança e para o qual nada é impossível.

“Caríssimos, continuem com esta confiança o caminho! Eu agradeço pela fidelidade e pelo grande bem que fazem na Igreja e no mundo. E prometo uma lembrança especial na oração. Eu os abençoo de coração!”.

Na Igreja Católica, a Vida Consagrada é constituída por homens e mulheres que se comprometeram, pública e oficialmente, a viver (individualmente ou em comunidade) os votos de pobreza, castidade e obediência para toda a vida.

As celebrações do Dia Mundial da Vida Consagrada culminam na segunda-feira com uma Missa presidida pelo Papa Leão XIV na Basílica de São Pedro, às 17h00 (16h00 em Lisboa).

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