Estudo promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, a partir do Censos de 2021 e coordenado pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos da religião da UCP, mostra a maioria dos concelhos açorianos acima da média nacional

A pergunta sobre a religião nos Censos 2021 era facultativa. Ainda assim, praticamente todos os portugueses responderam, permitindo traçar um retrato rigoroso da evolução das identidades religiosas no país. O estudo, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e coordenado pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos da Religião da Universidade Católica Portuguesa, mostra que os Açores continuam a ser uma das regiões mais católicas de Portugal, embora acompanhem a tendência nacional de diminuição do peso do catolicismo e de crescimento da diversidade religiosa.
Vila Franca do Campo destaca-se neste panorama. Com 96,3% da população a identificar-se como católica, continua entre os concelhos mais católicos de Portugal e é aquele onde a identidade religiosa se manteve mais próxima da realidade observada há uma década. A diversidade religiosa continua residual, representando apenas 0,8% da população, enquanto 2,9% afirmam não ter qualquer religião.
Mas a realidade açoriana é diversa. Também o Nordeste (95,3%) e Povoação (95,2%) mantêm percentagens muito elevadas de população católica, integrando o grupo dos concelhos mais católicos do país. Ribeira Grande (94,3%), Santa Cruz da Graciosa (94,9%), Lagoa (92,3%), Praia da Vitória (92,3%), Ponta Delgada (91%), Angra do Heroísmo (90,1%) e Lajes do Pico (89,2%) continuam igualmente acima da média nacional.
Apesar desta predominância, o estudo mostra que praticamente todos os concelhos açorianos registaram uma diminuição do peso do catolicismo entre 2011 e 2021. A exceção verificou-se no número absoluto de católicos, que apenas aumentou na Madalena do Pico e em Ponta Delgada, acompanhando o reduzido grupo de apenas 44 concelhos portugueses onde esse indicador cresceu.
Ao mesmo tempo, as outras religiões cresceram na quase totalidade dos municípios açorianos, sendo o aumento particularmente visível entre outras confissões cristãs, sobretudo evangélicas. A percentagem de pessoas que afirmam não ter qualquer religião também aumentou em praticamente todos os concelhos, acompanhando uma tendência que se verifica em todo o país.
Outro dado interessante diz respeito à percentagem de pessoas sem pertença religiosa e os concelhos açorianos estão entre os 44 concelhos nacionais onde a média de pessoas que se diz sem pertença religiosa é mais baixa. A proporção para o país como um todo é de 14% e metade dos concelhos tem mais de 8,3%.
Segundo os investigadores, parte desta transformação explica-se pela imigração. O crescimento da população oriunda dos PALOP e do Brasil contribuiu para uma maior diversidade religiosa, fenómeno que tende a ser mais evidente nos concelhos com maior presença de residentes estrangeiros, também nos Açores.
O facto de praticamente todos os portugueses terem respondido a uma pergunta que era facultativa reforça, segundo os autores do estudo, a importância que a religião continua a ter enquanto elemento de identidade individual e coletiva, permitindo retratar com elevado grau de confiança as mudanças ocorridas na última década.
Mais de sete milhões de portugueses dizem-se católicos, o equivalente a 80% da população com mais de 14 anos. De acordo com os Censos de 2021, esta percentagem caiu 3 pontos percentuais em 10 anos.
Ao mesmo tempo, tem aumentado no país a percentagem de pessoas que não se identificam com nenhuma religião, representando hoje 14% da população, enquanto outros 6% dizem pertencer a outras religiões.
Estes e outros dados do retrato interativo das identidades religiosas em Portugal, publicados no site da Fundação Francisco Manuel dos Santos com base num estudo coordenado pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos da Religião da Universidade Católica Portuguesa podem ser consultados em https://ffms.pt/…/infografia/quantos-tem-minha-religiao