Cerca de 60 participantes, entre alunos, professores e alguns pais, integraram a 22ª edição da Romaria Escolar, promovida pelo Serviço Diocesano da Pastoral Escolar. O percurso iniciou-se na Escola das Laranjeiras, em Ponta Delgada, e terminou nos Remédios da Bretanha, com a celebração de uma eucaristia presidida pelo padre Aurélio Sousa
A XXII Romaria Escolar voltou a percorrer caminhos micaelenses, reunindo jovens de várias escolas da ilha numa experiência marcada pela fé. A iniciativa, organizada pelo Serviço Diocesano da Pastoral Escolar, contou com a participação de cerca de 60 “irmãos”, entre alunos e professores, muitos dos quais viveram pela primeira vez esta tradição tão enraizada na cultura açoriana.
O dia começou ainda de madrugada, na Escola das Laranjeiras, em Ponta Delgada, com condições meteorológicas incertas que, contudo, não impediram o entusiasmo dos participantes e ninguém desistiu, apesar de alguns romeiros de palmo e meio estarem visivelmente cansados. Ao longo do percurso até aos Remédios da Bretanha, foram vários os momentos de oração, reflexão e convívio, enriquecidos pelo contributo especial dos irmãos de São Pedro e da Conceição da Ribeira Grande.
Para o professor Bento Aguiar, principal dinamizador da romaria, esta edição foi mais uma prova do valor desta iniciativa: “É sempre diferente. Tivemos sorte com o tempo e conseguimos cumprir o programa na íntegra. Sentimos que há um dever cumprido e já pensamos no próximo ano”.
O docente da Escola Secundária Antero de Quental destacou ainda a presença significativa de alunos mais novos, muitos com idades entre os 9 e os 11 anos, que participaram pela primeira vez: “Havia muita curiosidade em perceber o que é ser romeiro. Apesar do cansaço, foi uma experiência muito gratificante”.
A participação de pais e o reforço do número de professores de Educação Moral e Religiosa Católica também foram aspetos sublinhados como sinais positivos para o futuro da iniciativa.
“Esse envolvimento dá um espírito diferente e ajuda a garantir continuidade”, acrescentou.
Entre os participantes, o professor Dinis Toledo viveu a sua primeira experiência na romaria escolar em São Miguel, apesar de já ser romeiro na ilha Terceira. Considerou a jornada “interessante e motivadora”, destacando o entusiasmo dos mais jovens: “Vieram com muita curiosidade, com muitas perguntas sobre o que é ser romeiro. Sentimos que querem participar, envolver-se e viver esta experiência”.
Raúl Medeiros, Romeiro de São Pedro e já um decano desta romaria escolar, lembrou, numa breve alocução à chegada da Igreja, que o caminho de fé e de compromisso passa não só por ir ao encontro de Jesus mas por segui-lo.
“Uma coisa é encontrar Jesus, outra é segui-lo. Encontrar é uma vontade, segui-lo é uma ação”, disse.
Já o padre Aurélio Sousa, que presidiu à Eucaristia com que encerrou a Romaria, recordou, a partir do evangelho proclamado, que à semelhança do Caminho de jesus até Jerusalém também a vida, “é feita de altos e baixos e de muitas tentações e peripécias”, mas seguir Jesus “exige perseverança, amor e entrega ao próximo”.
Sublinhando o valor das romarias, afirmou que estas representam “um coração que se abre para procurar o Senhor, seja no cansaço ou na dor”, lembrando que cada participante é “esperança desta Igreja peregrina”. Apelou ainda a que esta vivência se traduza no quotidiano: “A nossa vida tem de ser rezada, para que o Senhor molde o nosso coração à semelhança do Seu”.
A Romaria Escolar nasceu por iniciativa de um grupo de professores da Escola Secundária das Laranjeiras, em Ponta Delgada. Posteriormente, a iniciativa foi assumida pela pastoral escolar da diocese e alargada a outras escolas da ilha de São Miguel.
Apesar de estar aberta a todas as escolas, a participação tem sido maioritariamente de estabelecimentos de ensino dos concelhos de Ponta Delgada, Lagoa e Ribeira Grande, devido à proximidade geográfica.
Ainda assim, em anos anteriores registaram-se também participações de alunos de outros concelhos, como a Povoação, o que demonstra o crescente interesse pela iniciativa.











