Por Renato Moura

Toda a acção política é extremamente importante, pois ela intervém, de forma muita profunda, na vida dos cidadãos e é por isso que há, da parte de muitos, interesse pelas notícias e programas de informação e debate produzidos pelos órgãos de comunicação social. Mas também há pessoas que consideram exagerado o tempo de antena que nomeadamente lhe é dedicado pelas estações de televisão e rádio. Em resumo: há os que se enchem de informação política e há os que já não podem ouvir falar disso, seja por um desinteresse que não é saudável, ou por um fartote que é compreensível, pois que há mais vida para além da política.
As notícias deveriam ser factuais, rigorosas e isentas, sem pretensão de sensacionalismo e sem mistura de opinião. Têm de dizer a verdade, mas não dizendo a verdade toda pode insinuar-se uma mentira. Em jornalismo aprende-se que um simples título é uma arma poderosa, pois pode distorcer por completo até uma notícia verdadeira. Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras, mas uma má intenção e até um descuido podem transmitir o inverso do que está dito.
Os programas de grande audiência onde se debate informação e acção política deveriam contar sempre com intervenientes capazes de discutir os temas. Se são políticos a origem partidária ajuda a orientar o nosso juízo e avaliação, tanto mais que, nos últimos anos, pelo menos os que estão no activo parecem limitar-se a reproduzir a voz do chefe! Também há os comentadores formados na política, alguns com sinceridade, princípios e frontalidade, outros aproveitando a oportunidade em proveito de objectivos. Há os especialistas temáticos sérios, mas também alguns, alegadamente independentes, que reproduzem por inteiro teses partidárias decisivas para convencer incautos.
Há bons programas de debate, mas também há aqueles em que o jornalista pretende dizer o que sabe com o intuito de ser a estrela, interrompendo a cada pouco o raciocínio dos intervenientes. Há jornalistas que não conseguem moderar e deixam que os programas se transformem numa vozearia.
Também há as entrevistas aos políticos em que os jornalistas têm o dever de insistir pelo completo esclarecimento, mas não podem tentar impor uma resposta e sobretudo levar quem ouve a concluir erradamente.
Os jornalistas nunca podem esquecer que não têm por missão provar que todos os políticos mentem sempre, e ou que nenhum dos seus objectivos poderá ser alcançado. Nem como comentadores o direito à liberdade pode ser maior que o dever de responsabilidade.