Padre José Júlio Rocha desafia cristãos a rejeitarem o “sedentarismo espiritual” e a “obsessão pelo bem estar material” que o mundo oferece

No terceiro Encontro de Reflexão da Ouvidoria da Praia, o Vigário Episcopal para o Clero sublinhou que o cristão “não pode entregar o coração ao ter, mas ao ser”, apelando a uma vida de autenticidade, serviço e missão num tempo marcado pelo excesso material e pela distração digital

 

O terceiro e último dia dos Encontros de Reflexão da Ouvidoria da Praia, realizado esta sexta-feira centrou-se no tema Quem sou eu no mundo? O cristão como testemunha e enviado”, tendo como palestrante o padre José Júlio Rocha, Vigário Episcopal para o Clero.

Na sua intervenção, o sacerdote começou por destacar a vivência do amor como chave para compreender e encarnar a mensagem de Jesus. Recordando o Evangelho, chamou a atenção para o convite de Cristo a caminhar com leveza interior e exterior, sem dependência de bens ou confortos: O Filho do Homem não tem sequer onde reclinar a cabeça”.

Este despojamento — explicou — não é um radicalismo, mas um caminho que liberta do sedentarismo espiritual e da busca constante de bem-estar imediato. É um apelo a viver “desamarrado” das coisas do mundo, como nómada que avança com confiança em Deus.

O presítero sublinhou também que há mais alegria em dar do que em receber, alertando para os exageros materiais que muitas vezes marcam o nosso tempo particularmente na quadra que se aproxima, o  Natal.

“Um cristão não pode entregar o seu coração ao ter, mas ao ser”, insistiu, desafiando os participantes a uma vida mais autêntica e fiel ao Evangelho.

Por isso, acrescentou, a passividade e o conforto são incompatíveis com o Batismo,  porque ser cristão é estar em saída, ser nómada.

“Ser Igreja, acrescentou, é ser missionário, levar Jesus ao encontro dos outros e não fechar-se em si próprio”.

Inspirando-se na história de Zaqueu, destacou que o encontro com Cristo é sempre transformador: primeiro o acolhimento, depois o testemunho e, por fim, o fruto da conversão. Esta conversão, reforçou, não brota de meros dogmas, mas sim do coração de Jesus, “um amor que acolhe, convida, perdoa e confia”.

A sessão terminou com um convite à conversão e ao acolhimento fraterno, seguindo-se um momento de perguntas por parte dos cerca de 60 participantes. A animação musical esteve a cargo do Grupo de Cordas do Cabo da Praia.

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