Bispo de Angra apela a uma fé encarnada na vida concreta que “não pode ser vivida de forma acomodada”

“A fé não se resume a práticas exteriores; pelo Batismo o cristão é chamado a reconhecer a presença de Deus na sua vida”, afirmou D. Armando Esteves Domingues na Eucaristia a que presidiu na Solenidade do Senhor dos Passos celebrada nos Cedros, Faial

Foto: Eucaristia nos Cedros/MM

 

A Paróquia dos Cedros, na ilha do Faial, viveu com profunda devoção a Solenidade do Senhor dos Passos, uma das celebrações mais marcantes do tempo quaresmal, que percorre todas as ilhas. Esta celebração foi presidida pelo bispo da Diocese de Angra, D. Armando Esteves Domingues, que se deslocou à comunidade para presidir à procissão e à Eucaristia.

Antes da celebração da missa realizou-se a tradicional procissão do Senhor dos Passos pelas ruas da freguesia, também presidida por D. Armando Esteves Domingues. Durante o percurso teve lugar o momento simbólico do encontro entre as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora, evocando o encontro de Jesus com sua Mãe no caminho para o Calvário. O tradicional Sermão do Encontro foi proferido pelo Ouvidor da Horta, padre Marco Martinho.

Na homilia da Eucaristia, o bispo de Angra convidou os fiéis a refletirem sobre o significado da fé à luz do Evangelho do cego curado por Jesus, recordando que a verdadeira transformação acontece quando o crente é capaz de afirmar: “Eu creio”. Tal como o cego que dizia “eu não via e agora vejo”, também os cristãos, pelo batismo, são chamados a reconhecer a presença de Deus nas suas vidas.

D.Armando Esteves Domingues sublinhou ainda que a vida cristã não pode ser vivida de forma acomodada. Recordando a paixão de Cristo, destacou que não há ressurreição sem morte e que o caminho da cruz faz parte da experiência cristã. Nesse sentido, lembrou a figura de Simão de Cirene, afirmando que, tal como Jesus precisou de alguém que o ajudasse a carregar a cruz, também os cristãos são chamados a ser “cireneus” para os outros, ajudando a suportar as cruzes presentes na vida e no mundo.

O prelado alertou também que a fé não se resume a práticas exteriores, recordando que a participação em procissões ou outras manifestações religiosas deve conduzir a um verdadeiro compromisso com o Evangelho, vivido na Eucaristia e no serviço aos outros.

Na sua reflexão, convidou ainda os fiéis a olhar para as cruzes presentes na realidade atual – como as guerras, as doenças, a violência ou o sofrimento humano – e a perguntar-se de que forma podem ajudar quem mais precisa.

A procissão do Senhor dos Passos foi apresentada como uma imagem da própria vida cristã: um caminho feito com Cristo, marcado por quedas e desafios, mas sempre orientado para a esperança da Páscoa, recordando que os passos da paixão nunca são o fim do caminho, pois a última palavra pertence sempre à ressurreição.

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