“A visita pastoral não é à sacristia, mas às pessoas”- refere D. Armando Esteves Domingues

O bispo de Angra iniciou este sábado a primeira de três visitas pastorais previstas este ano para a maior ilha do arquipélago, escolhendo a Ouvidoria de Vila Franca do Campo, primeira capital da ilha, como ponto de partida. O primeiro dia ficou marcado por um forte carácter intergeracional, com encontros que passaram pelas crianças da catequese (6º ano) , idosos e jovens crismandos, num roteiro centrado na proximidade às pessoas.
A visita teve início na Igreja Matriz de Vila Franca do Campo, onde o prelado foi recebido pela comunidade e pelos membros do Conselho Pastoral. Em declarações ao sítio Igreja Açores, explicou o sentido desta presença: “A minha primeira expetativa é conhecer melhor… conhecer as alegrias e dificuldades. Depois poder contribuir para a confirmação na fé de tantas pessoas, não só daqueles que vão receber o sacramento, mas também aqueles que trabalham”. Sublinhou ainda que não chega como “fiscal”, mas como alguém que quer “acrescentar e ajudar”.
Ao longo do dia, reforçou a ideia de uma Igreja próxima.
“A Igreja não está fora do mundo, aliás, ninguém vive isolado. A Igreja sai, vai à rua conhecer as dificuldades, seja numa creche, numa escola ou num lar. A visita pastoral não é à sacristia, mas às pessoas”.
O primeiro momento, vivido com as crianças do sexto ano da catequese, trouxe um tom particularmente intimista ao arranque da visita. Na simplicidade do encontro, entre olhares curiosos e alguma timidez própria da idade, D. Armando Esteves Domingues procurou criar um ambiente de proximidade, falando de forma direta e acessível, quase como quem conversa em família. Mais do que um discurso formal, foi um diálogo feito de gestos, perguntas e pequenas histórias, onde a atenção das crianças se manteve presa a cada palavra.
“Encontrar-me com todos é pensar no futuro”, disse-lhes, convidando-os a olhar para a fé como um caminho vivo, que um dia poderá também passar pelas suas mãos.
Recordou a sua própria vocação, nascida num retiro onde se deixou “seduzir por Jesus”, e procurou traduzir essa experiência numa linguagem que os mais novos pudessem compreender: um Deus próximo, que conhece cada pessoa pelo nome, que sabe “o que cada um faz, onde mora, o que pensa” e que nunca abandona, mesmo quando se erra.
Num dos momentos mais marcantes, deixou um apelo simples, mas exigente: “Ama sempre, mas se te cansares de amar, continua a amar”. As palavras foram acolhidas num silêncio atento, quebrado aqui e ali por sorrisos e gestos de cumplicidade. Falou ainda de um Deus que “é um esbanjador de amor” e de um Jesus que “é o caminho, a verdade e a vida”, reforçando a ideia de que a fé se vive no quotidiano, nas pequenas escolhas de cada dia.
Seguiu-se a visita à Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo, uma das mais antigas dos Açores, onde contactou com os idosos. Ali, o ritmo abrandou e o ambiente ganhou um tom mais contemplativo. Entre palavras serenas e gestos de carinho, pediu aos utentes que rezassem pela visita pastoral, acabando por partilhar com eles um momento de oração. A instituição, responsável por diversas valências sociais – do lar à creche, passando pela farmácia e pelo ATL – e pela organização das festas do Senhor da Pedra, continua a ser um pilar da vida social e religiosa da Vila.
Alguns dos responsáveis pastorais mostraram satisfação com o arranque da visita.
Carlos Vieira, coordenador do Conselho Pastoral da Ouvidoria, sublinhou “a alegria e empenho” da comunidade na preparação e no acolhimento do prelado, reconhecendo também que é preciso falar dos desafios que a ouvidoria enfrenta como a diminuição da prática religiosa e da participação na catequese. Ainda assim, destacou a vontade de mostrar ao bispo “a realidade, os desafios e também as fragilidades”.
Já Graça Amaral evidenciou a forma como o bispo se relacionou com os mais novos: “Mostrou que sabe estar com todas as idades. Os miúdos beberam tudo o que ele disse”. Para a representante do conselho pastoral de ouvidoria ao Conselho pastoral Diocesano, esta será “uma semana especial e de graça”, preparada com dedicação por toda a comunidade, incluindo a escola e os diferentes movimentos.
O dia terminou com um encontro com jovens crismandos, fechando um percurso que, logo no primeiro dia, ligou diferentes gerações em torno da mesma vivência de fé. A visita pastoral prolonga-se ao longo da semana, com um programa intenso que pretende dar a conhecer a realidade local e fortalecer a presença da Igreja no quotidiano das pessoas.
Domingo- Visita Pastoral à RIBEIRA DAS TAINHAS.
10h30 – Receção ao Senhor Bispo pela comunidade na Igreja do Bom Jesus Menino.
Momento de oração e encontro com as crianças da catequese, catequistas e suas famílias.
11h30 – Visita ao arquivo paroquial e salão paroquial.
12h00 – Visita ao Cemitério.
12h30 – Almoço/convívio no salão comunitário.
14h00 – Visita a alguns doentes.
15h30 – Visita à Junta de Freguesia.
16h00 – Atendimento personalizado às pessoas da Comunidade.
16h30 – Assembleia Paroquial aberta a todos os movimentos e à comunidade.
18h00 – Eucaristia com a celebração do Sacramento da Confirmação.
19h30 – Jantar com a Irmandade dos Inocentes.
Visita pastoral do bispo de Angra arranca em Vila Franca do Campo e mobiliza toda a comunidade










