Semana de Oração pelas Vocações mobiliza Diocese de Angra entre 18 e 26 de abril

A Diocese de Angra assinala, entre 19 e 26 de abril, a Semana de Oração pelas Vocações, sob o lema “Eu estou contigo”, com diversas iniciativas espirituais e pastorais. Três seminaristas açorianos a estudar no Porto destacam a importância deste tempo para a Igreja, enquanto o reitor do Seminário Episcopal de Angra convida à participação na vigília de oração no dia 25

Foto: Igreja Açores/CR (Arquivo)

A Semana de Oração pelas Vocações é vivida como um tempo privilegiado de intensificação da oração e de reflexão sobre o chamamento de Deus na vida de cada cristão e os seminaristas dos Açores, que residem atualmente no Porto frequentando em simultâneo o Seminário de Nossa senhora da Conceição, da diocese do porto e a Universidade Católica do Porto, estão particularmente atentos a esta semana. David Carreiro, aluno açoriano do primeiro ano de Teologia, sublinha que, embora a oração pelas vocações seja um apelo permanente, esta semana “antecede o Domingo do Bom Pastor e convida a um maior fervor”, reforçando a consciência de que todos são chamados por Deus.

O seminarista destaca ainda que este período é particularmente significativo para quem se prepara para o sacerdócio, pois permite reconhecer que “não são os únicos vocacionados” e sentir o apoio da comunidade cristã. Ao mesmo tempo, considera que pode despertar nos mais jovens a certeza de que “todos somos chamados” a uma missão.

Também Afonso Silveira, aluno açoriano do mestrado de Teologia na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto reforça a ideia de que a vocação nasce no batismo e é, antes de mais, um chamamento universal à santidade. “Deus quer que eu seja santo”, afirma, explicando que as diferentes vocações -sacerdotal, religiosa, matrimonial ou laical –  são formas concretas de viver esse chamamento.

“É inútil ser padre, freira ou sacristão se eu não realizar esta finalidade da vida – unir-me a Jesus em cada dia, e ao meu próximo por causa d’Ele”, afirma.

O seminarista alerta ainda para o risco de reduzir a reflexão vocacional apenas ao sacerdócio, lembrando a importância de valorizar todas as formas de serviço na Igreja.

“A primeira coisa que devemos entender a respeito de vocação é que pelo batismo, Deus fez um chamamento muito pessoal a todos e a cada um em particular” avança.

Sobre o lema deste ano, “Eu estou contigo”, os seminaristas consideram que a mensagem responde aos desafios atuais. Para David Carreiro, esta certeza de que Deus acompanha cada pessoa “interpela a sair de si mesmo” e a confiar mesmo em tempos de dúvida e incerteza, especialmente entre os jovens.

Afonso Silveira acrescenta que o testemunho é essencial para falar de Deus no mundo contemporâneo, defendendo que “a credibilidade de um místico é irresistível”. Aponta ainda para a necessidade de compreender as buscas espirituais atuais dos jovens, muitas vezes marcadas pelo interesse pelo transcendente, e de responder com autenticidade e profundidade.

“Sem um compromisso de vida profundo, a estética fica em cosmética vazia, mas há que incrementar os aspetos legítimos destas tendências e purificar com verdade e caridade as suas limitações”, acrescenta.

“A geração emergente compreende que a filantropia vivida sem verticalidade, também não enche o homem, fica aquém das suas aspirações. Os jovens não se bastam com o ser “bom”. Ser bom não preenche ninguém. A bondadezinha é uma bondade solitária, que só é rompida pela presença do Cristo Ressuscitado”, afirma.

Já Elson Medeiros, também aluno açoriano no mestrado de Teologia, interpreta a crise de vocações como reflexo de uma crise mais profunda de relação e de abertura ao encontro. Segundo o seminarista, o lema deste ano recorda que a resposta não passa apenas por estratégias, mas por tornar visível uma presença: “não se trata de levar Deus ao mundo, mas de reconhecer que Ele já está presente”.

“A vocação não é um fenómeno marginal, mas o modo concreto como Deus continua a chamar e a agir na história. Para todos os cristãos, esta semana reaviva a consciência de que a vida é resposta a um chamamento — não apenas no sentido ministerial ou consagrado, mas também no matrimónio, na vida laical e no compromisso quotidiano”, afirma.

“Para nós, em particular, esta semana assume um carácter quase existencial. É um tempo de regressar à origem do próprio caminho: o momento em que percebemos que Deus chama pelo nome” esclarece ainda sublinhando a ocasião para a “intercessão”.

“Num contexto de fragilidade vocacional, esta semana não é apenas de promoção, mas de purificação do desejo: perguntar-se, com verdade, para quem vivo? e quem me chama?”, enfatiza.

Assim, prossegue o seminarista, o lema “Eu estou contigo” adquire uma força particular, deslocando o eixo da questão.

“Não se trata de convencer ou de propor ideias, mas de tornar visível uma presença que precede e acompanha. A resposta à crise não está primariamente numa estratégia de comunicação, mas numa forma de estar: recuperar a centralidade do encontro, da proximidade, da relação encarnada”, conclui.

Na Diocese de Angra, a semana será marcada por várias iniciativas. O reitor do Seminário Episcopal, padre Emanuel Valadão Vaz, destaca a vigília de oração no dia 25 como um momento central, aberta a todos os fiéis.

“É uma forma de estarmos juntos e rezarmos por todas as vocações, desde o sacerdócio ao matrimónio”, afirma.

O responsável sublinha que a vocação é uma semente colocada por Deus no coração de cada pessoa e que cabe à comunidade ajudar a fazê-la crescer. Num contexto em que os seminaristas se encontram fora da diocese, o reitor considera que isso pode ser também um desafio positivo para envolver mais as comunidades na promoção vocacional.

A Semana de Oração pelas Vocações surge, assim, como um apelo à responsabilidade partilhada, convidando toda a Igreja a rezar, discernir e apoiar aqueles que procuram responder ao chamamento de Deus.

“Eu estou contigo” é o lema da Semana de Oração pelas Vocações 2026

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