
Leão XIV iniciou hoje a sua visita a Angola, a terceira de um Papa ao país, com passagens por Luanda, Muxima e Saurimo, numa deslocação que o episcopado angolano perspetiva como uma oportunidade para pacificar a sociedade.
O Papa despediu-se dos Camarões esta manhã e seguiu com a sua comitiva no Aeroporto Internacional de Luanda.
Depois da cerimónia de boas-vindas, Leão XIV encontra-se com o chefe de Estado angolano, João Lourenço, no Palácio Presidencial, antes do encontro com as autoridades políticas, representantes da sociedade civil e membros do corpo diplomático, para o primeiro discurso do Papa.
A agenda do dia encerra-se pelas 19h00, num encontro privado entre o pontífice e os bispos de Angola.
O programa de domingo começa celebração da Missa campa em Kilamba (10h00), a 30 quilómetros de Luanda, e a recitação do terço no Santuário mariano da Muxima, um dos centros da devoção católica em Angola, pelas 16h30.
A 20 de abril, Leão XIV viaja até Saurimo, no leste do país, ara visitar uma casa de acolhimento de idosos (09h45) e presidir à Eucaristia (11h15), regressando a Luanda ao final da tarde para um encontro com os bispos e os agentes pastorais, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (17h30).
A última etapa da viagem apostólica começa a 21 de abril, com a partida de Luanda para a Guiné Equatorial, às 09h15.
Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de São Paulo II ter realizado uma visita apostólica ao país, que incluiu uma passagem por São Tomé e Príncipe, entre os dias 4 e 10 de junho de 1992, e depois Bento XVI, de 20 a 23 de março de 2009.
O Missal da Viagem Apostólica do Papa Leão XIV a África, divulgado pelo Vaticano, coloca a oração pela reconciliação nacional no centro das cerimónias dos próximos dias, num país em que os católicos são cerca de 58% da população.
“Para que as cicatrizes do passado sejam curadas e para que os responsáveis políticos trabalhem em prol da justiça social, combatendo a corrupção e a pobreza”, refere uma das preces preparadas para a Missa deste domingo.
A viagem apostólica tem como lema “Papa Leão XIV: Peregrino da Esperança, Reconciliação e Paz”.
O guião apresenta uma intenção dedicada à juventude, sublinhando os desafios socioeconómicos enfrentados pelas novas gerações: “Para que os jovens angolanos não percam a esperança perante a falta de emprego e as dificuldades, encontrando em Cristo a força para construir um futuro melhor”.
A Igreja Católica em Angola vai ser desafiada a “ser sinal de unidade e instrumento de reconciliação entre todos os angolanos”.
As celebrações evocam ainda o sofrimento nos hospitais e nas periferias de Luanda e das restantes províncias.
Em março, a Conferência Episcopal de Angola divulgou uma nota pastoral sobre a visita do Papa ao país apelando à preparação espiritual e à organização dos encontros com Leão XIV como “ocasião propícia” para curar as “feridas internas”
Já em entrevista à Agência ECCLESIA e Renascença, D. José Manuel Imbamba, assumiu que Leão XIV vai encontrar um “país excessivamente partidarizado”, com vários desafios sociopolíticos.
O bispo de Saurimo manifesta a esperança de que a presença do pontífice “desperte consciências” entre os cidadãos.
Esta é a terceira etapa da maior viagem internacional do atual pontificado, que se iniciou segunda-feira na Argélia e prosseguiu, desde quarta-feira, nos Camarões.
A deslocação conclui-se a 23 de abril, na Guiné Equatorial.
(Com Ecclesia)