
A Caritas Internationalis apela, na véspera do Dia Mundial do Refugiado, aos Estados que realizem “políticas concretas de proteção”, que a comunidade internacional “garanta financiamento adequado” e que os crentes e civis acolham e integrem as pessoas refugiadas.
“Apelamos a que as comunidades religiosas e a sociedade civil a continuarem a construir pontes de acolhimento, inclusão, dignidade e esperança, promovendo sociedades onde os refugiados possam reconstruir as suas vidas em segurança e contribuir para as suas comunidades de acolhimento”, pode ler-se num comunidade citado pela Agência Ecclesia.
“Apelamos aos Estados para que respeitem as suas obrigações ao abrigo da Convenção de 1951 e as traduzam em políticas concretas de proteção, e não de dissuasão; à comunidade internacional para que garanta um financiamento adequado e previsível para as operações humanitárias de apoio às pessoas deslocadas e às suas comunidades de acolhimento”, acrescenta a nota.
O Dia Mundial dos Refugiados celebra-se a 20 de junho, por proposta da Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo de homenagear a coragem e resiliência de quem é forçado a abandonar a sua casa devido a guerras, violência e perseguições.
“A Caritas Internationalis junta-se ao apelo global para renovar a proteção aos milhões de pessoas forçadas a fugir das suas casas, numa altura em que o mundo comemora o 75.º aniversário da Convenção sobre os Refugiados de 1951”, recorda.
A Confederação global de 162 organizações católicas de assistência, desenvolvimento e serviço social dá conta de 117,8 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo no final de 2025, e indica a “atual crise de deslocações” marcada por “uma série de emergências graves e prolongadas” com origens na “Venezuela, nos territórios palestinianos ocupados, na Ucrânia, na Síria, no Afeganistão, no Sudão e o Sudão do Sul”.
“O Sudão continua a ser a maior crise de deslocamento interno do mundo, com mais de nove milhões de pessoas desalojadas no interior do país. A estas, acrescenta-se agora o deslocamento em rápido agravamento no Líbano e no Irão, onde a recente escalada forçou mais de um milhão de pessoas a abandonar as suas casas”, indica.
A ONU propõe este ano que o dia mundial do Refugiado seja assinalado com o “lembrete” «Até que todos estejam em segurança», o que para a Confederação Global significa reconhecer que “a segurança não é um privilégio reservado a poucos, mas um direito fundamental – o direito à vida e a uma vida vivida com dignidade”.
“Enquanto houver pessoas forçadas a fugir de conflitos, das alterações climáticas ou da perseguição, a nossa responsabilidade comum perdura”, sublinha.
A Caritas Internationalis adverte ainda para a atual situação que coloca as pessoas “em situações vulneráveis expostas a riscos ainda maiores”.
“O princípio da não repulsão — a garantia fundamental de que ninguém deve ser devolvido a uma situação de perigo — está a ser minado, deixando as pessoas que já se encontram em situações vulneráveis expostas a riscos ainda maiores”, denuncia.
Os membros da Confederação estão a trabalhar em conjunto com Igrejas e comunidades locais “para proporcionar abrigo, alimentação, proteção e uma presença atenta às pessoas que perderam tudo”.
(Com Ecclesia)