Dia Mundial dos Avós: Vaticano pede transição da assistência para a inclusão ativa dos idosos

Foto: Vatican Media

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida do Vaticano (Santa Sé) alertou hoje para a urgência de integrar ativamente as gerações mais velhas nas paróquias, rejeitando a perspetiva de reduzir a terceira idade a um peso assistencial.

“Não basta organizar serviços, é preciso construir relações para que a certeza de não ser esquecido por Deus se traduza na experiência quotidiana”, advertiu Vittorio Scelzo, responsável pela Pastoral dos Idosos do organismo do Vaticano.

Em declarações ao portal ‘Vatican News’, o responsável traçou um balanço positivo da evolução do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, instituído pelo Papa Francisco em 2021.

A iniciativa quer ajudar a passar de um modelo focado na assistência para um projeto existencial, que envolva os mais velhos.

Esta estratégia pretende combater a “cultura do descarte” e a perceção de que a população sénior constitui um fardo para uma economia contemporânea centrada unicamente no lucro e na eficiência.

Vittorio Scelzo identificou a “solidão” como a principal pobreza do envelhecimento, lembrando que o desafio de visitar os vizinhos mais isolados ganha um peso particular durante a agressividade climática do verão.

O responsável da Santa Sé elogiou a criatividade global na aplicação destes princípios, destacando o esforço atual da Igreja na Venezuela para assegurar que esta solidariedade chega às vítimas idosas dos recentes sismos.

As boas práticas internacionais incluem também campanhas de sensibilização dinamizadas por jovens na Índia e projetos europeus de alianças intergeracionais focados em contrariar o isolamento etário.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida disponibilizou um guião oficial para orientar as comunidades de todo o mundo, pedindo explicitamente a celebração de Eucaristias dedicadas ao tema e a organização de visitas domiciliárias aos fiéis acamados.

Na sua mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, Leão XIV denuncia o abandono das populações mais velhas, alertando para um clima de indiferença e violência, nas famílias e nas sociedades.

“A Igreja conhece o sofrimento dos seus filhos mais idosos, sabe bem que demasiadas vezes se olha para eles com preconceitos e são considerados um fardo”, adverte o texto, no qual o Papa aborda as consequências de um tempo “marcado de forma tão dura pela violência bélica e social”.

O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos decorre anualmente no quarto domingo de julho, este ano com o tema ‘Eu nunca te esquecerei’.

“Que este dia seja um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita”, recomenda Leão XIV.

(Com Ecclesia e Vatican Media)

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