Bispo de Angra presidiu à celebração da Paixão na Sé

O caminho percorrido por Jesus até à cruz por amor e para salvação da humanidade devem ser fonte de inspiração para a missão dos cristãos de acabar com as “injustiças e violências” em ordem a uma vida nova, defendeu esta tarde o bispo de Angra, na Celebração da Paixão, a que presidiu na catedral insular, em Angra do Heroísmo.

Numa celebração marcada pela liturgia da palavra, D. João Lavrador destacou que “A Palavra de Deus, hoje, convida-nos a percorrer com Jesus Cristo o caminho da cruz e da entrega, caminho de amor e de redenção” que devem contagiar os homens de hoje para olharem de outra forma para os que “jazem mortos na sua dignidade à beira da história dos homens”.

“ A sociedade de hoje continua a contar com tanta gente desfigurada na sua dignidade de ser humano. Tantas dores, perplexidades, incompreensões, mortes, desesperos, fragilidades, guerras e injustiças a reclamar não só medidas que ajudem a aliviar o sofrimento mas a clamar pela presença de quem aprenda a amar o seu irmão assumindo a sua condição e oferecendo-lhe a realidade nova que só Deus poderá oferecer” afirmou o prelado insular.

“Há um mundo velho e antigo que deve morrer para renascer uma nova humanidade” afirmou ainda sublinhando que a Paixão de Cristo é o coroamento de toda uma existência vivida em amor até ao fim, até ao extremo, de quem deu tudo e de quem dá tudo pelos outros.

Por isso, deixou um desafio: “Com olhar de sabedoria e de generosa entrega na missão de libertarmos os nossos irmãos que padecem as injustiças e as violências, a fome e a exclusão, a deportação e a solidão, percorramos este caminho que Jesus de Nazaré percorre que é o verdadeiro caminho onde se cruza a vida humana com a presença de Deus e no qual se descobre que o nosso semelhante é nosso irmão” afirmou D. João Lavrador.

“Este caminho da cruz que leva à morte do Filho de Deus é verdadeiramente a realidade que nos desafia nos nossos critérios, valores e opções, porque este é o único caminho que nos revela o verdadeiro Deus que se oferece totalmente pelas Suas criaturas”, adianta ainda.

Assim, lembra, esta celebração “projeta-nos na esperança da vida nova anunciada por Jesus Cristo que momentaneamente se esconde mas que por iniciativa divina desabrochará como nova criação que a todos nós nos atingirá e nos fará experimentar a vida que Deus nos quer oferecer desde toda a eternidade e que agora fica ao nosso alcance com a participação na morte de Cristo porque quem morre com Cristo também com Ele experimentará a ressurreição”.

Nesta sexta-feira Santa, marcada pela contemplação da Cruz e pela comunhão eucarística, a Sé acolherá ainda às 20h00, uma Via-sacra e a procissão do Senhor Morto pelas principais ruas à volta da Sé de Angra.

Amanhã, sábado santo, a Vigília Pascal começará às 21h30 naquela que é a maior e a mais importante das celebrações da Igreja, uma cerimónia que integra já o calendário da Páscoa. A celebração é composta por quatro liturgias: a da Luz, em sinal de alegria, com a bênção do lume novo e o Círio; a da Palavra, que compreende nove leituras, sete do Antigo Testamento e duas do Novo Testamento, com o canto do Glória e do Aleluia; a Batismal e a Eucarística.

Nesta noite, haverá batismos na Sé, sendo que o bispo batizará uma jovem adulta de 18 anos, catecúmena, que integrou a catequese de adultos desta paróquia depois de ter iniciado a sua formação noutra diocese.

O batismo de adultos não é muito significativo na diocese de Angra registando-se anualmente menos de `meia dúzia´ de casos.

A celebração da Páscoa da Ressurreição do Senhor tem lugar às 11h00 de domingo.