Por Renato Moura

A frase escolhida para título é da autoria do P.e José Frazão, Superior Provincial da Companhia de Jesus em Portugal; e acrescentava “Existe para anunciar o Evangelho no tempo que lhe é dado viver”. Foram retiradas de uma entrevista conduzida pelas jornalistas Raquel Abecassis, da “Renascença” e Natália Faria, do “Público”, publicada a 11 de Maio, mas com conteúdo que se manterá actualizado.

O Superior interpreta e esclarece, de forma magistral, a maneira de ser, opiniões e intenções do Santo Padre, nomeadamente ao afirmar que ele tem uma “relação muito tangível, concreta, com a realidade”, uma “compreensão da Igreja como povo”, se “insere num movimento muito genuíno de expressão da fé, nos seus estados mais populares”, para que “a Igreja se compreenda a partir do que está fora, do que é excluído, do que não tem poder”. Considera que “o Papa não é um líder mundano” e “não terá nenhuma ignorância em relação às resistências que encontrará”; mas “se sente movido pelo Espírito Santo” e como jesuíta é “modelado pelos exercícios espirituais e pelo apelo ao discernimento”.

O P.e Frazão bem conhecedor da Igreja, nas suas virtude e dificuldades, sente “que o apelo ao bem desperta resistências que vêm do medo, da insegurança”, mas não se deve “ter medo da realidade, mesmo quando ela é agressiva e hostil à Igreja, é já um modo de entrar em contacto fecundo com essa mesma realidade”. Reconhece que o sínodo exprimiu diferentes entendimentos, mas opina que “as divergências não são um atentado à unidade”.

O Superior alimenta a esperança dos divorciados recasados, mas introduz realismo. Afirma que “não podemos ficar inertes por receio disto ou daquilo se acharmos que o espírito nos impele nesta direcção” e crê “que é essa a força do Papa Francisco”, mas alerta que “a Igreja não trabalha em tempos curtos”. Realça todavia caminhos e refere: “o que o Papa faz é devolver em grande parte às comunidades locais, e dando um papel muito importante aos bispos, a possibilidade de fazerem caminho”.

Da Igreja espera “que tenha a coragem de aceitar os desafios e o rumo que o Papa Francisco lhe vai pedindo” e apela: “lidemos com a realidade, seja ela qual for”, pois “é melhor uma Igreja que se exponha e pague algum risco do que uma Igreja que se proteja mas que não cumpre a sua missão” e fundamenta “acho isso extraordinário, porque foi isso que também Jesus fez”.

Que estas menções, que não podem resumir a entrevista, sirvam ao menos para criar o desejo de ser lida na íntegra e profundamente reflectida, como merece.