O Papa alertou hoje na capital do Cazaquistão para a necessidade de construir a paz, a cada momento, na primeira celebração com a comunidade católica local, que representa 0,01% da população do país.

“A paz nunca é conquistada duma vez por todas; há de ser conquistada cada dia, como também a convivência entre etnias e tradições religiosas diversas, o desenvolvimento integral, a justiça social”, referiu, na homilia da Missa a que presidiu no recinto da Expo 2017, em Nur-Sultan, perante milhares de pessoas.

Francisco percorreu o local em papamóvel, à sua chegada; a Missa, em latim e russo, assinalou a festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz.

Na antiga república soviética, independente desde 1991, o Papa evocou as “serpentes ardentes da violência, da perseguição ateísta”, que atingiu “a liberdade do povo e a sua dignidade”.

“A partir da Cruz de Cristo, aprendemos o amor, não o ódio; aprendemos a compaixão, não a indiferença; aprendemos o perdão, não a vingança. Os braços abertos de Jesus são o abraço de ternura com que Deus nos quer acolher”, acrescentou.

A intervenção apontou à fraternidade, destacando que o caminho dos cristãos não é “o da imposição e constrição, da força e da exuberância”, mas o do “amor humilde, gratuito e universal”.

“Irmãos e irmãs, esta é a estrada, a estrada da nossa salvação, do nosso renascimento e ressurreição: olhar para Jesus crucificado. Daquela altura, podemos ver duma maneira nova a nossa vida e a história dos nossos povos”.

Francisco concluiu a sua homilia rezando para que os cristãos sejam, cada vez mais, “testemunhas alegres de vida nova, de amor, de paz”.

No final da Missa, o Papa é saudado pelo arcebispo de Maria Santíssima em Astana, D. Tomash Bernard Peta, regressando depois à Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé), onde pernoita.

A viagem de três dias conclui-se esta quinta-feira, com o tradicional encontro privado com os membros da Companhia de Jesus (Jesuítas), na Nunciatura.

Pelas 10h30 locais (05h30 em Lisboa), Francisco reúne-se com bispos, membros do clero e institutos religiosos, além de agentes pastorais da Igreja Católica, na Catedral Mãe de Deus do Perpétuo Socorro.

O último compromisso da viagem é a participação, no Palácio da Independência, na cerimónia de leitura da declaração final e conclusão do congresso de líderes religiosos, perante os quais volta a falar, a partir das 15h00.

(Ecclesia)