Cónego Hélder Fonseca Mendes dirige mensagem de boas-vindas aos peregrinos do Senhor Santo Cristo e lembra que a pandemia deixou o desafio de não dar nada por garantido

O Administrador Diocesano acaba de dar as boas vindas a todos os peregrinos que por estes dias rumam à maior cidade dos Açores para participar na Festa do Senhor Santo Cristo, que se realiza em Ponta Delgada entre 20 e 26 de maio, em Ponta Delgada. Numa mensagem dirigida “ a todos os peregrinos que, de longe e de perto, acorrem ao mais antigo santuário diocesano dos Açores”, o cónego Hélder Fonseca Mendes lembra que, depois da pandemia, nada está garantido e cada peregrino deve fazer um esforço permanente de conversão.

“Depois dos fenómenos inesperados da segunda década do século atual, aprendemos a dar valor ao que somos e temos, pelo que perdemos. A pandemia e a guerra, fenómenos que julgávamos arcaicos e ultrapassados, de consequências nefastas de longo alcance, já vistas e ainda desconhecidas, estão aí na dureza da realidade e dos seus efeitos” afirma na mensagem.

“Após dois anos sem nos encontrarmos presencialmente, eis chegada a feliz hora de nos colocarmos diante de Cristo, ao lado uns dos outros, de olhar fixo no mesmo Senhor, podendo ver, ouvir, tocar, cheirar e saborear o que aqui acontece. Só sentindo!” refere o sacerdote

“Nesta festa descobrimos o Mistério que está dentro de nós, com o qual nos encontramos, tomando consciência dessa presença transcendente que nos habita, mediante a mediação inspiradora da imagem do Senhor Jesus na sua paixão” disse ainda ao sublinhar que  “essa é também a paixão da Humanidade atual que não ignoramos, por paradoxal que possa parecer num ambiente de festa”.

“Será tudo igual na tradição, diferente na originalidade de cada tempo, um encontro sempre novo para as crianças que agora despertam, para os jovens que com paixão sonham, para as famílias que nestes dias fortalecem os laços de comunhão, para os idosos e doentes, que se revêm na bondade, paciência e doação do Senhor Santo Cristo”, afirmou.

“A fé cristã, e a moral evangélica que dela emana, não pretende atingir a perfeição, de seres humanos perfeitos, sem defeitos, mas é feita de fecundidade, de frutos bons, de lutas e de cansaços, de esterilidades vencidas e rugas expostas, tal como a velha árvore do Campo de São Francisco que é capaz de se doar toda e que ainda nos abriga e conforta”, esclarece.

“A partir de agora, nada está adquirido, como sempre foi” disse sublinhando que “a decisão ética e o imperativo da fé não fazem parte de um progresso garantido sempre crescente, linear ou de uma conquista vitalícia”, mas “é uma decisão sempre renovada em cada sujeito e em cada geração”.