Por Renato Moura

O Jornal “O Dever” titulava: “Festas do Divino Espírito Santo no Pico centradas na partilha e na vivência religiosa”. Como noticiou, o Ouvidor P.e Marco Martinho, assumiu: “Vimos recomendar que as Irmandades do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade da Ouvidoria do Pico suspendam as celebrações das suas festividades nos moldes habituais”, desafiou-as a reinventarem-se e “encontrar outras formas de celebrar o culto ao Divino Espírito Santo, neste tempo de contingência, sempre de acordo com as normas vigentes”. Referem-se actos religiosos como a oração do Terço, em igrejas, ermidas e salões, em várias localidades; distribuição de sopas, pão, rosquilhas e bolos de véspera, pelas casas dos irmãos. E celebração das Missas Festivas, havendo nalgumas a coroação simbólica “invocando a protecção do Divino Espírito Santo neste tempo de pandemia”.

Registo-o aqui como posição certíssima em anúncio e honra do Divino, respeito pelo culto ancestral e consideração por quantos nos precederam e educaram na fé.  Deveria ter sido a regra em todo o arquipélago. Como oração ao Espírito Santo, rezando como escrevia o P.e João António Neves, Vigário Episcopal do Ocidente, in “O Dever”: “Vinde Espírito Santo e renovai a face da terra, especialmente em tempo de pandemia, para que o ultrapassemos o mais depressa possível”.

Aparentemente por casualidade, certamente por vontade de Deus, ouvi na RTP1, no Domingo, a homilia do Cónego Adriano Borges, Vigário Episcopal do Nascente. Recomendaria a audição e a reflexão sobre essa homilia, cheia de conteúdo, clara, interventiva, corajosa, mas apoiada no Evangelho. Considero-a transcendente. Quem me tem lido perceberá como me reconfortou.

Considerou obrigação cristã anunciar a Boa Nova de molde a chegar ao coração do homem actual; alertar as consciências, também tocar nas feridas e nos pontos sensíveis. Exemplificou com atitudes corajosas e edificativas do Papa Francisco. Louvou o respeito da Igreja pelas regras legais impostas, mas não deixou esquecer actos religiosos cancelados, enquanto outros permitidos; nem o anúncio do «presente» futebolístico! Todavia vincou: o respeito não significa que não possamos questionar.

Foi peremptório: “O silêncio da Igreja nunca é um bom sinal, nem um sinal de que as coisas estão bem”. Destacou a obrigação do cristão e da Igreja: anunciar e denunciar.

“Não tenhais medo” apelou. E ensinou: quem ler a Bíblia toda encontrará 365 vezes a expressão «Não temais».

Jesus disse: “Toda a árvore boa dá bons frutos”. Eles provaram-no.