D. João Lavrador presidiu à celebração da Sé que marcou o arranque da Quaresma na diocese insular com a imposição de cinzas

O bispo de Angra convidou, na sua homilia, os diocesanos esta quarta-feira de cinzas, dia que marca o arranque da Quaresma, a aproveitarem este tempo para um diálogo de maior intimidade com Deus, combatendo o espírito farisaico que atravessa “a história da Igreja, da sociedade e pode atingir cada um de nós”.

A partir da liturgia de hoje, D. João Lavrador comparou os tempos de hoje com o povo do tempo do profeta Joel para sublinhar que “também nós castigados e despojados da nossa dignidade perante um mundo que nos aprisiona e nos deporta da relação com Deus, somos convidados a uma renovada relação divina, penitenciando-nos, e celebrando-O com a entrega do nosso ser, mais do que com gestos exteriores e vazios”.

O prelado diocesano insular, que orientou esta quarta feira a segunda recoleção da Quaresma dirigida aos sacerdotes, na ilha Terceira e se destinou aos sacerdotes da Vigararia do Centro, destacou  a “superficialidade e mesmo hipocrisia” deste mundo lembrando que o tempo que agora se inicia- 40 dias até à Páscoa- deve ser aproveitado para uma “verdadeira reconciliação com Deus” com vista “à comunhão com Ele”. E propôs um itinerário concreto.

“No itinerário quaresmal, devemos purificar as nossas imagens de Deus, tantas vezes de modelos pagãos e revestidas de idolatria, e no confronto com a Palavra revelada e sobretudo na pessoa de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, converter-nos a Deus no Amor e na misericórdia” afirmou D. João Lavrador.

E prosseguiu: “O amor atrai para o amor. Da nossa parte, todos os gestos do itinerário quaresmal, jejum, ascese, mortificação, sobriedade, austeridade, oração e penitência, iluminados pela Palavra e pela participação nos sacramentos, terão de expressar um coração faminto de amor e orientado para a fonte do Amor”.

“Sem esta renovação, paralisamos numa religiosidade sem vida, num ritualismo vazio, na repetição de atos que desgastam e não alimentam e deixamos de ter qualquer atuação evangélica no meio do mundo no qual vivemos” acrescentou.

“O gesto da imposição das cinzas sobre a cabeça de cada um de nós é um convite à humildade para aceder à verdadeira sabedoria” disse, ainda, destacando que quem faz este caminho e vive em comunhão com Deus “reconhece a vida nova que lhe é oferecida em Jesus Cristo, partilha-a com os irmãos numa comunidade e torna-se mensageiro do Evangelho na sociedade em que vive.”

Apresentando a caminhada quaresmal como itinerário de vivência batismal, o prelado diocesano falou da mensagem do Papa Francisco que foca a criação.

Já na sua mensagem para a Quaresma o prelado tinha apelado a um aproveitamento deste tempo para o restabelecimento de uma relação próxima com Deus, materializada no Jejum, na escuta da palavra de Deus e na oração.

A renuncia quaresmal reverterá para a Diocese de São Tomé e Principe, nomeadamente para as Irmãs da Sagrada Família, no Príncipe, para os idosos do seu Centro de Dia e da Casa Betânia, que vivem com muitas carências.