Diocese elege tema da misericórdia como um dos principais desafios pastorais de 2015/2016

 

A Igreja “é chamada”, neste tempo de mudanças epocais, “a oferecer mais vigorosamente os sinais da presença e proximidade de Deus”, diz o Bispo de Angra nas Orientações Diocesanas de Pastoral dadas a conhecer esta terça feira.

A Diocese açoriana vai prosseguir o trabalho de auto conhecimento quer da realidade social quer da eclesial, mas fá-lo-á no contexto do Ano Jubilar da Misericórdia.

“Este não é o tempo para nos deixarmos distrair, antes pelo contrário: é o de permanecermos vigilantes e despertarmos em nós a capacidade de fixar o essencial” diz D. António de Sousa Braga lembrando o Papa Francisco, durante a Celebração das Primeiras Vésperas do Domingo da Divina Misericórdia de 2015, definindo, deste modo, os objetivos do ano Jubilar e Pastoral de 2015-2016.

O lema do ano é extraído do Evangelho de S. Lucas 6, 36- “Misericordiosos como o Pai”-, e propõe-se que seja capaz de “viver a misericórdia seguindo o exemplo do Pai, que pede para não julgar e não condenar, mas perdoar e dar amor e perdão sem medida” (Lc. 6, 37-38).

De acordo com o responsável pela Igreja diocesana, “o Bom Pastor com extrema misericórdia carrega sobre si a humanidade, mas os seus olhos confundem-se com os do Homem. Cristo vê com os olhos de Adão e este com os olhos de Cristo. Cada pessoa descobre assim em Cristo a própria humanidade e o futuro que a espera” e é isto que os cristãos açorianos devem seguir.

Por isso, toda a ação da Igreja açoriana deve ser “sinal e instrumento da misericórdia do Pai”; “manter vivo o desejo de individualizar os inúmeros sinais da ternura que Deus oferece aos que estão em tribulação, vivem sozinhos e abandonados, sem esperança de ser perdoados”; “sentir intensamente a alegria de ter sido reencontrados por Jesus”;“dar conta do calor do amor do Bom Pastor, quando nos carrega aos ombros e nos traz de volta à casa do Pai”; de “ser tocados pelo Senhor Jesus e transformados pela sua misericórdia para nos tornarmos, também nós, testemunhas da misericórdia”; de “tratar as feridas e não nos cansarmos de ir ao encontro de quantos estão à espera de ver e tocar sensivelmente os sinais da proximidade de Deus, para oferecer a todos o caminho do perdão e da reconciliação” e, finalmente “fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que o mundo contemporâneo tantas vezes cria de forma dramática”.

Para realizar tudo isto, o prelado alerta para a necessidade de uma “dinâmica própria” que deve “ser adquirida e consolidada”, devendo “alargar-se e aprofundar-se na constituição e realização dos Conselhos Pastorais de Paróquia, de Zona Pastoral, de Ouvidoria, de Ilha e Diocese, bem como em Assembleias Pastorais locais, temáticas, ou por destinatários, com momentos de reflexão, testemunho, oração, celebração e festa”.

“As instâncias pastorais consultivas, executivas e formativas devem girar à volta dos eixos que nos orientam ao longo deste ano”, apela ainda D. António de Sousa Braga.

Assim, são estabelecidas uma série de orientações para os Serviços Diocesanos que devem “ preparar e celebrar o Jubileu de um modo temático ou consoante os destinatários que servem”.

Para além da Cáritas Diocesana e de cada Ilha, através de vários programas de inclusão social, entres eles o “+ Próximo”, dos Centros Sociais Paroquiais e Movimentos de Caridade, as Santas Casas da Misericórdia dos Açores, “deverão ser um meio extraordinário de realizar as obras de misericórdia entre nós”, dando corpo à ideia da sua fundação quer do ponto de vista material quer do ponto de vista espiritual.